A nova tarifa americana
direcionada ao Brasil entrou em vigor nesta quarta-feira (22), enquanto outros
parceiros comerciais de Washington se preparam para uma nova rodada de medidas
tarifárias diante do vencimento, nesta semana, das temporárias impostas pelo
presidente Donald Trump.
A tarifa de 25% sobre o Brasil
vem na esteira de uma investigação dos Estados Unidos, que acusou o gigante
americano de práticas comerciais desleais.
Isso provocou fortes críticas,
embora o vice-presidente Geraldo Alckmin, tenha dito em entrevista coletiva na
terça-feira que o país buscará resolver o problema por meio de negociações, em
vez de recorrer a represálias.
Vários produtos, como carne
bovina, café e peças de aviões, ficarão isentos, e aproximadamente metade das
exportações do Brasil para os Estados Unidos continuará livre de tarifas,
estima Valentina Sader, do centro de estudos Atlantic Council.
Ainda assim, a medida vem em um
momento em que Trump renova sua aposta no uso de tarifas como ferramenta de
pressão, o que desperta temores de represálias e de maiores tensões.
Washington pode estar
"utilizando o Brasil como exemplo para enviar uma mensagem mais ampla
sobre suas prioridades e sua abordagem de negociação", disse Sader à AFP.
Embora a Suprema Corte dos
Estados Unidos tenha anulado muitas das tarifas de Trump em fevereiro,
desferindo um golpe em sua capacidade de impor novos impostos a seu critério,
Washington avançou na reconstrução de sua agenda comercial recorrendo a outros
poderes.
O fato de os Estados Unidos
afirmarem que as tarifas ao Brasil foram impostas porque o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva não negociou de boa-fé "reforça a percepção de que a
medida não se dirige apenas às práticas comerciais do Brasil, mas que também
possui um componente político contra o próprio Lula", apontou Sader.
O gravame desponta como um
importante ponto de conflito na campanha para as eleições presidenciais de
outubro no Brasil.
A Câmara de Comércio Americana
para o Brasil alertou recentemente que a medida de Washington afeta mais de 11
bilhões de dólares (55,85 bilhões de reais) em exportações.
Trump anunciou na terça-feira a
imposição de novas tarifas de 100% sobre os medicamentos genéricos importados,
que entrarão em vigor a partir de agosto de 2028, e cuja alíquota passará
posteriormente a 200% em 2029.
Preocupação por trabalho forçado
Ainda está por vir uma ofensiva
mais ampla, já que em junho as autoridades propuseram tarifas entre 10% e 12,5%
voltadas a 60 parceiros comerciais por supostos descumprimentos na luta contra
o trabalho forçado.
Analistas esperam que os gravames
vinculados ao trabalho forçado substituam a tarifa global temporária de 10% —
que expira na sexta-feira — imposta por Trump após seu revés na Suprema Corte.
"Esperamos ver alguma ação
em breve", disse à emissora CNBC o representante comercial dos Estados
Unidos, Jamieson Greer.
Golpe ao Canadá
O governo americano anunciou nos
últimos dias outras tarifas direcionadas ao Canadá, um de seus principais
parceiros comerciais.
Na segunda-feira, Ottawa foi alvo
de uma sobretaxa adicional de 50%, que entrará em vigor dentro de um mês,
devido ao "tratamento discriminatório do Canadá em relação aos produtos
norte-americanos".
"É uma resposta às medidas
de retaliação" adotadas por Ottawa após as primeiras tarifas impostas por
Washington em 2025. "Há um ano pedimos ao Canadá que as retire, que as
modifique, que as ajuste", justificou Greer nesta terça-feira.
O primeiro-ministro canadense,
Mark Carney, declarou nesta terça-feira que estava avaliando "todas as
opções" para responder ao aumento. Após conversar com Trump, disse que
haviam concordado em "intensificar nossas negociações nas próximas duas
semanas".
Fonte: Diário de Pernambuco.




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