Uma mulher de 43 anos, que afirma
ter sido vítima de envenenamento por mercúrio, aguarda há mais de um ano pelo
avanço das investigações. Ela denuncia ter sido envenenada por uma de suas
alunas de artesanato durante um projeto social do Hospital Oswaldo Cruz, no
Recife, onde atuava como professora voluntária. Segundo o relato da vítima,
pequenas esferas de mercúrio eram colocadas dentro da sua garrafa de água.
A mulher, que prefere não
divulgar a identidade, afirma que atualmente depende do uso de muletas, perdeu
força nas mãos e apresenta sequelas na pele.
“Meus filhos eram assistidos pelo
GAC (Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer). Os dois tinham epilepsia e
faziam acompanhamento na unidade. Lá conheci o projeto e quis retribuir o
carinho recebido pelos meus filhos”, contou.
Há quase dois anos, a artesã, que
é portadora de fibromialgia, começou a apresentar perda de equilíbrio e
dificuldades para urinar. “Pensei que os sintomas da minha doença estavam
piorando. Achei estranho porque minha fibromialgia sempre foi controlada”,
relatou.
Ela conta que, durante um ano,
medicamentos foram ajustados, as sessões de fisioterapia foram intensificadas
e, mesmo assim, os sintomas continuaram aumentando. “Comecei a ter cãibras,
espasmos e feridas que foram surgindo pelo corpo”, afirmou.
Segundo a vítima, a suspeita
de envenenamento surgiu cerca de um ano após o agravamento dos
sintomas. “Ao chegar a casa, fui beber o restante da água que estava na
garrafinha que levava para as aulas de artesanato e senti umas ‘bolinhas’ no
líquido. Quando tentei cuspir, vi que eram bolinhas prateadas e guardei”,
contou.
A decisão de instalar uma câmera,
segundo ela, ocorreu após perder a garrafa de água. “Ao chegar sem minha
garrafa, uma das alunas fez várias perguntas: por que eu estava sem a garrafa,
se eu não iria comprar outra, se eu ia beber água. Achei a preocupação dela
estranha”, disse.
Uma semana depois, a mesma aluna
teria presenteado a professora com uma nova garrafa. “A partir daí, acendeu um
alerta. No dia seguinte, deixei meu celular ligado e fui ao banheiro. Quando
voltei e vi as imagens, percebi ela colocando algo dentro da minha água”,
relatou.
No mesmo dia, a professora
procurou a Delegacia da Boa Vista, realizou exames no Instituto de Medicina
Legal (IML) e entregou a garrafa para perícia. “No dia seguinte, comprei uma
garrafa idêntica. Cheguei ao projeto social bebendo água, coloquei a câmera
para filmar e fui ao banheiro. Quando vi que ela tinha colocado algo novamente,
não toquei mais na garrafa e liguei para o 190”, contou.
Segundo a vítima, a Polícia
Militar foi até o hospital e encaminhou as duas mulheres para a Central de
Plantões. A suspeita negou ter colocado qualquer substância na bebida.
Na ocasião, a filha da suspeita
teria ofendido a professora, que também registrou um boletim de ocorrência
contra ela. “Todo o processo se arrasta há mais de um ano. É muito
desgastante”, lamentou.
Laudo do IML
O exame toxicológico realizado
pela perícia do IML apontou a presença de mercúrio no sangue e na urina da
vítima, em níveis acima dos considerados esperados para pessoas sem exposição
ao metal. De acordo com o laudo, foram identificados 21,0 µg/L de mercúrio no
sangue e 5,8 µg/L na urina.
Segundo os peritos, como o
mercúrio não possui função no organismo humano e os valores encontrados estavam
acima do parâmetro de referência (inferior a 5 µg/L), o resultado confirma a
intoxicação por mercúrio.
Em um laudo médico apresentado
pela vítima, o profissional responsável aponta que a intoxicação por mercúrio
pode causar diversos problemas de saúde, incluindo alterações neurológicas,
renais e cardíacas. O documento também relaciona os sintomas apresentados pela
paciente à exposição ao metal.
Consulta médica
Para dar continuidade ao
inquérito, foi solicitado à vítima um exame com um neurocirurgião. A artesã
entrou com um pedido de tutela antecipada de urgência para conseguir o
agendamento da consulta, diante do quadro clínico apresentado.
De acordo com o advogado da
vítima, Wilgberto Reis, a Polícia Civil solicitou um parecer de um
neurocirurgião para avaliar se houve complicações neurológicas relacionadas à
intoxicação por mercúrio.
“Estamos cobrando das autoridades
competentes agilidade no processo, visto que já tem mais de um ano que foi
registrada a ocorrência”. Ele salienta que a audiência por xingamentos feitos
pela filha da acusada foi realizada semana passada e um acordo foi feito. “Mas
a audiência principal que diz respeito à saúde física e mental da minha cliente
está com toda essa demora”.
Fonte: Diário de Pernambuco.




.jpg)

%2000.39.29_9fcc7007.jpg)


.jpeg)