A citação ao ministro Dias
Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em mensagens encontradas no celular
de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu a pressão da oposição para
que o Senado analise um pedido de impechment do magistrado. Congressista também
cobram da cúpula do Legislativo a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar as suspeitas envolvendo a instituição
financeira.
Toffoli é relator da investigação
envolvendo o Master na Corte, mas sua condução do caso passou a ser alvo de
questionamentos por sua ligação com Vorcaro. Na segunda-feira, a Polícia
Federal entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que, de
acordo com a colunista Malu Gaspar, elenca telefonemas, o envio de um convite
para uma festa de aniversário do ministro e conversas de Vorcaro com outras
pessoas a respeito de pagamentos relacionados ao resort Tayayá, empreendimento
que teve Toffoli como sócio.
Em nota na quarta-feira, o
gabinete de Toffoli afirmou que o "pedido de declaração de suspeição"
é baseado em "ilações". Em nova nota, divulgada nesta quinta-feira, o
ministro admitiu ser um dos sócios da empresa que detinha cotas do resort e que
vendeu sua participação a um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de
Vorcaro.
O ministro sustentou ainda que nunca recebeu valores do banqueiro nem de seus
familiares e destacou que passou a relatar a investigação sobre suspeitas de
fraude na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB apenas quando a
companhia já não integrava a administração do empreendimento.
O novo capítulo do caso Master reforçou a mobilização de parlamentares da
oposição, que passaram a discutir a apresentação de novos pedidos de
impeachment contra Toffoli e a intensificar a pressão pela instalação de uma
CPI para investigar a atuação do banco e eventuais conexões políticas.
Apesar da mobilização, em
especial de aliados de Jair Bolsonaro, a cúpula da Câmara e do Senado mantém
postura de cautela e adota, por ora, compasso de espera diante do desfecho
jurídico das investigações.
O requerimento para criação da
comissão já havia sido apresentado, mas enfrenta resistência da cúpula do Congresso,
que tem preferido manter a apuração concentrada na Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado.
Vice-líder da oposição e da
minoria, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que os fatos recentes tornam
inviável adiar a investigação parlamentar mais ampla.
— Fica insustentável não abrir a
CPI do Banco Master diante das revelações que vieram à tona — disse.
Jordy também informou que
apresentará nesta quinta-feira representação à Procuradoria-Geral da República
pedindo o afastamento de Toffoli da relatoria das investigações. Paralelamente,
parlamentares da oposição articulam o protocolo de novos pedidos de impeachment
do ministro, movimento capitaneado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e
apoiado por integrantes da liderança do PL. Cabe ao Senado analisar esse tipo
de processo contra ministro do STF.
Nesta quinta-feira, parlamentares
do Novo anunciaram a apresentação de um novo pedido de impeachment contra o
ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em ato com a presença do
senador Eduardo Girão (CE) e do deputado federal Marcel van Hattem (RS). A
iniciativa reforça a articulação da oposição para ampliar a pressão política
sobre o magistrado em meio aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco
Master.
Líderes pregam cautela
Enquanto a oposição eleva o tom,
dirigentes das Casas legislativas evitam declarações públicas. Interlocutores
das presidências da Câmara e do Senado afirmam que a orientação predominante é
aguardar a evolução do caso no próprio STF e eventuais manifestações da Procuradoria-Geral
da República antes de qualquer movimento institucional, seja sobre impeachment,
seja sobre a abertura da CPI.
A cautela reflete o receio de
reabrir uma crise entre Poderes em meio a um ambiente político já tensionado e
a outras agendas prioritárias no Congresso. Reservadamente, líderes avaliam que
uma ofensiva sem base jurídica consolidada tenderia a fracassar e poderia
fortalecer a narrativa de confronto institucional com o Supremo.
Fonte: Folha de Pernambuco.





