Amunam leva roda de leitura para praças

De posse de livros com histórias infantis, meninos e meninas se revezam contando histórias e dando muita gargalhada à sombra de árvores.

Adolescentes da Amunam levam solidariedade

crianças e adolescentes do Projeto Dando a Volta por Cima da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata visitaram o Abrigo Domingos de Azevedo Irmã Guerra.

Coração Nazareno realiza show em festival

O Maracatu Coração Nazareno, idealizado e organizado pela Associação das Mulheres de Nazaré da Mata, abriu o Festival Camará, em Camaragibe.

Grupos da Amunam se apresenta em polo junino

A Quadrilha Junina, composta por crianças e adolescentes do Projeto Dando a Volta por Cima abriu a festa no polo Circo do Forró, mostrando a todo o público presente todas as suas cores, animação e desenvoltura.

Motta diz que fim da escala 6x1 será debatida por meio de PEC


 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta terça-feira (7) que o governo não vai mais encaminhar um projeto de lei com urgência para tratar do fim da escala de trabalho 6X1. Segundo ele, o debate ocorrerá por meio de uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, atualmente, está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

“O governo não mais enviará, segundo o líder do governo [deputado José Guimarães], o projeto de lei com urgência, pactuando assim o entendimento já feito e determinado por essa presidência de que nos iremos analisar a matéria por Projeto de Emenda à Constituição”, disse Motta após reunião de líderes na residência oficial.

Atualmente, a Constituição estabelece que a carga de trabalho será de até oito horas diárias e até 44 horas semanais. A CCJ analisa os textos das PECs apresentadas pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A expectativa é que o colegiado análise a admissibilidade da matéria na próxima semana.

O primeiro acaba com a escala 6x1, de seis dias de trabalho e um de descanso e limita a duração do trabalho normal a 36 horas semanais. O texto ainda faculta a compensação de horas e a redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Pela proposta, a nova jornada entra em vigor 360 dias após a data da sua publicação.

O segundo projeto também reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, nos mesmos termos da proposta anterior. A matéria, entretanto, prevê que a nova jornada entre em vigor 10 anos após a data de sua publicação.

Urgência


O governo avaliava enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, caso as discussões que tratam sobre a jornada de trabalho considerados como prioritários não caminhassem com a “velocidade desejada”.

A urgência impõe que tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado tenham 45 dias para deliberar o tema, sob pena de trancamento da pauta.

Motta disse que após a aprovação na CCJ, encaminhará a criação de uma comissão especial para debater e deliberar sobre a matéria. Segundo o presidente da Câmara, a intenção é que o texto seja votado nessa comissão especial ainda em maio para posteriormente ser levado para ao plenário.

“Imediatamente [após a aprovação na CCJ] criaremos a Comissão Especial para trabalharmos a votação em plenário até o final do mês de maio, dando a oportunidade de que todos os setores possam se manifestar acerca dessa proposta que é importante para a classe trabalhadora do país, pois nós estamos tratando da redução da jornada de trabalho sem prejuízo salarial”, afirmou.

 

Votações


Motta disse ainda que a Câmara deve votar esta semana o projeto de lei que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo.

“Esse projeto de lei é importante. Ele atende mais de 2 milhões de trabalhadores no país, que trabalham para essas plataformas. Com essa aprovação, esses trabalhadores passarão a ter previdência, seguro saúde, seguro de vida e garantias que hoje eles não têm”, apontou.

Também estará na pauta dessa semana a votação da PEC 383/2017 que vincula o repasse de 1% da Receita Corrente Líquida da União para financiamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

O objetivo é garantir recursos contínuos para os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializada da Assistência Social (CREAS) e programas de proteção social.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Dia Mundial da Saúde: Nunca tivemos tanta ciência - e tanta resistência a ela


 

Todo 7 de abril marca a celebração do Dia Mundial da Saúde, data que lembra a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948. Em 2026, a campanha global traz um lema direto: "Juntos pela saúde. Apoiem a ciência". A mensagem parece simples, mas carrega um peso enorme no cenário atual.

Nas últimas décadas, poucos campos demonstraram de forma tão clara o poder da ciência quanto a saúde pública. Avanços científicos ajudaram a transformar profundamente a expectativa e a qualidade de vida da população mundial.

Segundo a própria OMS, desde o ano 2000 a mortalidade materna global caiu mais de 40%, enquanto as mortes de crianças menores de 5 anos foram reduzidas pela metade. Vacinas, antibióticos, exames de imagem e tecnologias de diagnóstico precoce salvaram centenas de milhões de vidas.

Mas esses números também levantam uma questão essencial: se a ciência já demonstrou tanto potencial, por que seus benefícios ainda chegam de forma tão desigual?

Ciência está disponível, mas há resistência a ela

A ciência produz conhecimento. A forma como esse conhecimento chega à sociedade (ou deixa de chegar) passa por governos, instituições e escolhas políticas.

No Brasil, esse debate passa inevitavelmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Criado pela Constituição de 1988, o sistema público brasileiro materializa a ideia de que saúde é um direito e que o conhecimento científico deve orientar políticas públicas.

Campanhas de vacinação, vigilância epidemiológica e a rede de atenção básica mostram a capacidade do sistema de transformar evidências em serviços concretos.

Ao mesmo tempo, crises recorrentes de financiamento, pressões políticas e desigualdades regionais revelam como sustentar esse modelo (e garantir que a ciência continue orientando suas decisões) permanece um desafio permanente.

A pandemia de covid-19 mostrou que esse dilema se repete em escala global. Naquela ocasião, pesquisadores desenvolveram vacinas em tempo recorde, algo considerado quase impossível décadas atrás. Ao mesmo tempo, porém, a crise revelou outra epidemia: a da desinformação.

Negacionismo científico, teorias conspiratórias e disputas ideológicas dificultaram campanhas de vacinação e políticas de proteção em diversos países. O resultado foi um paradoxo: nunca tivemos tanta ciência disponível e, ao mesmo tempo, tanta resistência a ela.

A batalha pela informação

A própria campanha internacional reforça que apoiar a ciência significa também valorizar informação confiável e comunicação clara sobre evidências.

Em um ambiente digital saturado de opiniões e boatos, distinguir evidência científica de desinformação tornou-se um desafio central para a saúde pública.

A confiança da população em instituições científicas e sanitárias passou a ser, ela própria, um fator determinante para o sucesso de políticas de saúde.

Sem essa confiança, até mesmo as melhores descobertas científicas podem perder impacto.

O verdadeiro desafio

"Apoiar a ciência", portanto, vai muito além de celebrar descobertas em laboratórios. O apoio deve vir de financiamento de pesquisa, fortalecimento de sistemas públicos de saúde, investimento em vigilância epidemiológica e garantia de decisões governamentais orientadas por evidências, e não por conveniência política ou pressão ideológica.

Esse apoio também se torna claro quando as autoridades sanitárias e gestores caminham para enfrentar um problema antigo da saúde global: a distância entre conhecimento e implementação.

Há décadas sabemos como prevenir muitas doenças crônicas, melhorar a qualidade do ar ou ampliar o acesso à água potável segura. Ainda assim, milhões de pessoas continuam expostas a riscos perfeitamente evitáveis.

Mais do que uma data simbólica

Neste Dia Mundial da Saúde, precisamos comemorar avanços científicos, mas sem deixar de ver a data como um convite para refletir sobre uma pergunta incômoda: o problema hoje é falta de conhecimento ou falta de decisão para aplicá-lo?

A história mostra que, quando ciência, política pública e informação de qualidade caminham juntas, vidas são salvas em larga escala. Quando se separam, o progresso na saúde se torna mais lento e, quase sempre, mais desigual.

Fonte: Jornal do Commercio.

Governo eleva imposto do cigarro para bancar querosene e biodiesel


 

O imposto sobre cigarros subirá para compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o biodiesel e o querosene de aviação (QAV), combustível utilizado no transporte aéreo.

A medida faz parte do pacote anunciado para conter os efeitos da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.

A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros subirá de 2,25% para 3,5%. Com isso, o preço mínimo da carteira deve passar de R$ 6,50 para R$ 7,50.

A estimativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses.

A mudança busca compensar a decisão de zerar as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação, medida que deve reduzir em cerca de R$ 0,07 o preço por litro do combustível. O impacto fiscal dessa desoneração é estimado em R$ 100 milhões por mês.

Durante o anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que aumentos anteriores no imposto sobre cigarros não tiveram os efeitos esperados, nem na redução do consumo nem na ampliação da arrecadação.

Compensações

Além da alta no imposto sobre cigarros, o governo prevê outras fontes para equilibrar as contas.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a elevação nas receitas com royalties do petróleo deve ajudar a compensar os gastos com as medidas, estimados em R$ 10 bilhões.

No mês passado, a equipe econômica aumentou em R$ 16,7 bilhões a estimativa de arrecadação com royalties de petróleo para 2026.

A projeção foi impulsionada pela alta de cerca de 40% no preço internacional do petróleo desde o início do conflito.

Durigan explicou também que entram na conta para manter medidas como a alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, instituída em março, o aumento da arrecadação dos tributos ligados aos lucros das empresas vendedoras de combustível e a elevação das receitas com leilões de petróleo da camada pré-sal.

Meta fiscal

Segundo o governo, o conjunto de ações busca equilibrar as contas públicas enquanto reduz o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia e o consumidor.

Para este ano, o governo prevê pequeno superávit primário de R$ 3,5 bilhões, excluindo os precatórios e alguns gastos fora do arcabouço fiscal, como defesa, saúde e educação. Ao incluir essas despesas, a previsão passa para déficit primário de R$ 59,8 bilhões.

O resultado primário representa o déficit ou superávit das contas do governo sem os juros da dívida pública.

Durigan assegurou que a elevação do imposto sobre o cigarro, o imposto de exportação sobre petróleo e os aumentos de arrecadação decorrente da maior cotação do barril conseguirão compensar integralmente as medidas para segurar a alta dos combustíveis.

"Quando a gente faz um crédito extraordinário, por não estar previsto em razão da guerra, ele ultrapassa o limite previsto para o Orçamento deste ano, mas ele não exclui o cumprimento da meta de resultado primário. O que a gente gastar a mais para a proteção da população está necessariamente casado com o aumento de arrecadação", justificou o ministro da Fazenda.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Consumo de ultraprocessados pode aumentar riscos de hemorroidas

As hemorroidas ficam ao redor da região anal ou retal. Elas se dilatam e se retraem de acordo com o movimento intestinal. Geralmente voltam ao tamanho normal. Contudo, a repetição de esforço para evacuar, caso a pessoa tenha intestino preso ou fezes endurecidas, pode complicar a drenagem sanguínea.

Público mais atingido

Proctologista do Hospital Jayme da Fonte, Suzana Bernardo afirma que a doença hemorroidária atinge, na maioria dos casos, pessoas entre 45 e 65 anos. Além do inchaço e sangramento, a coceira também é um dos principais sintomas das hemorroidas. Percebendo qualquer sinal, é importante procurar ajuda médica o mais rapidamente possível.

“A doença hemorroidária é caracterizada pelo inchaço recorrente na região anal, além de dor e sangramento. Vale salientar que sangramento nunca é normal. Atualmente, com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e da constipação em pacientes jovens, isso tem se tornado cada vez mais frequente”, revela a especialista.

Mito ou verdade?

Um senso comum que causa dúvidas até os dias de hoje é sobre a possibilidade de contrair a doença ao se assentar em superfícies quentes ou frias. Segundo Suzana Bernardo, a afirmativa não passa de um mito. 

“Esse é um dos grandes mitos que a gente tem na proctologia. O que causa hemorroida é constipação, são longos períodos sentado no vaso sanitário utilizando o celular, baixa ingestão hídrica e principalmente o sedentarismo”, coloca.

“É interessante, porque a gente também escuta muito falar para a pessoa que está em uma superfície quente: ‘cuidado para não pegar uma hemorroida ou alguma coisa do tipo’. É importante lembrar que, como a hemorroida é uma doença benigna, ela não é contagiosa. Então, até se você sentar num local que outra pessoa sentou e que tenha hemorroida, não há risco de contaminação”, indica.

Prevenção

Para prevenir, a pessoa deve observar os hábitos de vida e buscar uma rotina saudável, favorecendo o pleno funcionamento do intestino.

“Praticar exercício de forma regular, ter alimentação balanceada e rica em fibras e aumentar a ingestão hídrica. Isso favorece o seu intestino a funcionar de forma equilibrada, reduz o esforço ao evacuar, diminui a pressão na região anal e previne o surgimento de hemorroidas”, finaliza.

Fonte: Folha de Pernambuco. 

 

Pernambuco mantém alta de casos de tuberculose em 2025, com mais de 6 mil notificações


 

Pernambuco registrou, em 2025, 6.045 casos de tuberculose, número próximo ao total contabilizado em todo o ano anterior, quando foram confirmados 6.152 diagnósticos da doença. Apesar da semelhança, os dados mais recentes ainda são parciais e podem crescer, já que as notificações seguem sendo atualizadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base oficial usada em todo o país.

A tuberculose continua como um problema de saúde pública, mesmo diante de avanços no diagnóstico e tratamento. “A tuberculose sempre foi uma doença endêmica no nosso país. Existem períodos com maior número de casos, geralmente associados a condições climáticas mais secas ou úmidas, mas ela nunca deixa de existir. Por ser endêmica, está sempre presente”, explica a pneumologista e endoscopista respiratória Bruna Rocha.

Segundo a médica, o aumento de casos também pode estar relacionado a fatores recentes, como os impactos da pandemia de Covid-19 na saúde da população. “Pacientes com doenças pulmonares, como Covid-19, asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica, muitas vezes associada ao fumo, têm mais facilidade de desenvolver outras infecções pulmonares, incluindo a tuberculose. Qualquer comprometimento do pulmão aumenta esse risco”, explica Bruna Rocha.

Embora a doença seja frequentemente associada à tosse com sangue, esse é um sinal mais avançado.

Antes disso, os sintomas podem ser mais discretos. “A tuberculose chama atenção quando aparece tosse com sangue, mas esse já é um sinal mais avançado. Antes disso, existem sintomas importantes, como tosse por mais de duas semanas, seca ou com catarro; perda de peso não intencional, por exemplo, perder cerca de 10% do peso em um mês sem dieta ou exercício; além de fraqueza (astenia) e febre baixa, geralmente no fim da tarde ou início da noite. Esses sinais são mais sutis, mas já indicam a necessidade de investigação”, detalha a especialista.

Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para sangramentos. “A tuberculose provoca necrose no pulmão, ou seja, destruição do tecido. Quando essa necrose atinge vasos sanguíneos, ocorre o sangramento, que é a hemoptise”, diz Bruna. O diagnóstico, segundo a médica, não depende apenas da presença de escarro. “Nem todo paciente consegue produzir escarro. Nesses casos, o diagnóstico pode ser feito por meio da endoscopia respiratória, um procedimento semelhante à endoscopia digestiva, mas voltado para o pulmão, que permite coletar secreções diretamente das vias respiratórias”, pontua a médica.

A doença atinge com mais intensidade pessoas em situação de maior vulnerabilidade clínica e social. “Pessoas nos extremos de idade, como idosos e crianças, têm maior risco. Também pacientes com diabetes, gestantes, pessoas em tratamento para câncer ou doenças autoimunes, além de quem vive com HIV ou tem imunidade baixa. Fatores sociais também influenciam: moradias com muitas pessoas e condições precárias facilitam a transmissão”, complementa a pneumologista.

Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose ainda enfrenta o abandono do tratamento. “É um tratamento longo, geralmente de seis meses, e pode ser difícil. Os medicamentos devem ser tomados em jejum, a quantidade varia conforme o peso e podem causar efeitos colaterais, como náuseas, dor abdominal e mal-estar. Isso desestimula alguns pacientes”, afirma Bruna.

Ela também destaca barreiras sociais. “Além disso, há dificuldades sociais, especialmente entre pessoas em situação de rua, embora o acesso à medicação tenha melhorado bastante nos últimos anos”, complementa. Para reduzir esse cenário, a médica aponta caminhos. “Educação é fundamental. As campanhas de informação ajudam muito. Também é importante facilitar o acesso ao tratamento. Hoje, mesmo pessoas sem moradia conseguem retirar a medicação com encaminhamento adequado. Políticas públicas e o fortalecimento da atenção básica são essenciais”, afirma a pneumologista.

Ela ainda destaca que o monitoramento dos pacientes é uma etapa decisiva para o sucesso do tratamento. “O paciente precisa ser avaliado regularmente, incluindo o peso, que é um indicador importante de melhora. Além disso, é necessário repetir exames de escarro para verificar a redução do bacilo e realizar exames de imagem, como raio-X ou tomografia, para acompanhar a evolução do pulmão. Se não houver melhora, é preciso investigar outras possibilidades.”

Em nível nacional, o Brasil tem avançado no combate à tuberculose. O país passou a detectar 89% dos casos estimados, aproximando-se da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse avanço está ligado, principalmente, à ampliação do diagnóstico, com aumento de 76,3% na realização de testes moleculares. Após a queda na detecção durante a pandemia, causada pela interrupção de serviços de saúde, o país recuperou a capacidade diagnóstica a partir de 2023, mantendo os resultados em 2024 e 2025.

Além disso, a vacina BCG, aplicada na infância, segue como uma das principais formas de prevenção das formas graves da doença, com cobertura de 98% no país em 2025.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Vigília no Recife denuncia avanço do feminicídio em Pernambuco


 

Uma vigília realizada na noite desta terça-feira (31), no Centro do Recife, marcou o início de uma série de mobilizações mensais contra o feminicídio e a violência de gênero. O ato aconteceu às 18h, em frente ao monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro.

A mobilização foi motivada por dados recentes da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), que apontam 18 feminicídios registrados apenas nos dois primeiros meses de 2026 no estado. No mesmo período, mais de 8 mil casos de violência doméstica e familiar foram contabilizados, uma média de cerca de 137 ocorrências por dia. Em âmbito nacional, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número dos últimos anos.

Organizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal, a iniciativa deve ser feita sempre na última terça-feira de cada mês, com o objetivo de cobrar ações do poder público e ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência contra mulheres.

Presidente da comissão, a vereadora Cida Pedrosa destacou o caráter contínuo da mobilização e a gravidade dos índices. “Nós vamos fazer a vigília a partir de hoje, toda última terça-feira de cada mês. A ideia é criar um movimento para que mais e mais mulheres protestem contra essa pandemia de mortes”, afirmou.

Ela também chamou atenção para o avanço de discursos de ódio, especialmente no ambiente digital. “Antigamente, a gente dizia que, a cada oito minutos, uma mulher era estuprada. Agora, é a cada seis. Então, é uma violência que está crescendo. O movimento redpill na internet também cresce junto, onde você tem adolescentes e jovens sendo formados para a violência. Eles são guiados por homens mais velhos para odiar e subjugar mulheres, para criar uma situação em que elas estejam em condição de subalternidade. E isso é muito grave”, completou.

Para a vereadora Kari Santos, os números refletem um cenário urgente que exige resposta imediata. “Os números são alarmantes. Mulheres estão morrendo, estão sendo vítimas, e a gente precisa chamar a atenção da sociedade. É um período de trevas para nós, mulheres, porque precisamos viver, estamos tentando viver, e essa é uma forma que a nossa comissão encontrou para chamar a atenção do poder público, das pessoas e da sociedade, para que a gente venha a combater esse tipo de violência contra mulheres”, disse.

Ela reforçou ainda a necessidade de enfrentar as raízes estruturais do problema. “Então, o feminicídio é um tipo de crime em que as mulheres morrem por serem mulheres, e isso é alimentado por uma sociedade misógina e machista, que a gente precisa combater, principalmente aqui no estado de Pernambuco. É responsabilidade do poder estadual cuidar das mulheres”, afirmou.

A expectativa das organizadoras é que as vigílias sejam um espaço permanente de denúncia e mobilização social diante do aumento dos casos de violência contra mulheres no estado.

A professora e servidora pública Kátia Barbosa, de 58 anos, esteve presente no ato e acredita que os casos de feminicídio aumentam por falta de humanidade para com as mulheres.

“Chega uma hora que a gente não aguenta mais tanta matança de mulheres. Eu acho uma contradição, porque a gente ainda é um estado que faz frente a um governo democrático. A gente pode pensar diferente, ter gostos diferentes, conviver com a diferença, simplesmente se respeitar, se ver como humano. E eu acho que a gente está num retrocesso”, afirma.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Papo de mulher com a delegada Gleide Ângelo

 




A Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (AMUNAM) recebeu, dentro da programação especial do Mês da Mulher, a presença da Delegada Gleide Ângelo para um encontro marcante intitulado “Papo de Mulher”.

O momento foi de diálogo aberto, escuta e fortalecimento, reunindo mulheres da comunidade para discutir especialmente o enfrentamento à violência contra a mulher. Conhecida por sua atuação firme na segurança pública e na defesa dos direitos das mulheres, a deputada compartilhou sua trajetória e destacou a importância de denunciar, acolher e combater todas as formas de violência.

Durante o encontro, Gleide Ângelo reforçou a necessidade de união e informação como ferramentas essenciais para enfrentar o ciclo de violência, além de destacar os avanços conquistados e os desafios que ainda persistem no campo político e social. Sua atuação tem sido marcada pelo compromisso em dar um basta à violência contra a mulher, levando essa pauta para o centro das discussões no legislativo e na sociedade.

O “Papo de Mulher” foi mais do que um encontro: foi um espaço de fortalecimento coletivo, onde as participantes puderam compartilhar experiências, tirar dúvidas e se reconhecer como parte de uma rede de apoio e resistência.

A realização desse momento pela AMUNAM reafirma seu compromisso com a luta pelos direitos das mulheres, especialmente no mês de março, quando se intensificam as ações de conscientização, empoderamento e valorização feminina.

Seguimos fortalecendo vozes, construindo caminhos e dizendo, juntas: basta à violência contra a mulher!

Polícia indicia homem que deu 20 tiros na porta de ex-companheira por seis crimes


 

A Polícia Civil indiciou por seis crimes o homem suspeito de invadir o prédio da ex-companheira, efetuar cerca de 20 disparos contra a porta do apartamento da vítima e ameaçar incendiar o imóvel, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife. O caso ocorreu no dia 18 de março. André Maia Oliveira, está preso desde o dia seguinte, quando se apresentou às autoridades.

De acordo com a investigação, ele foi indiciado por tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado, descumprimento de medida protetiva, invasão de domicílio qualificada, ameaça e injúria. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no último dia 27, cabendo ao órgão decidir se oferece denúncia à Justiça ou solicita novas diligências.

O crime

As apurações apontam que, no dia do crime, o homem utilizou um carro para derrubar o portão da garagem do edifício onde mora a ex-companheira. Em seguida, subiu até o quinto andar e atirou diversas vezes contra a porta do apartamento onde ela vive com a mãe e o filho do casal. Ele também levava um galão de gasolina, com a intenção de atear fogo no imóvel.

Ainda segundo a polícia, o suspeito fugiu antes da chegada de equipes da Polícia Militar, mas continuou a ameaçar a vítima por telefone, afirmando que poderia mandar matá-la, assim como a mãe dela, mesmo que estivesse preso. O carro utilizado na ação e a arma de fogo foram localizados na casa de um dos filhos dele, no bairro de Casa Forte, a cerca de três quilômetros do local da invasão.

O relacionamento entre o suspeito e a vítima durou cerca de 20 anos e terminou no dia 6 de março. Poucos dias depois, ela procurou a polícia e registrou ocorrência por ameaça, injúria e perseguição, conseguindo uma medida protetiva. Mesmo assim, o homem teria descumprido a determinação judicial ao praticar os crimes.

Após ter a imagem divulgada pelas autoridades, André Maia Oliveira se entregou em menos de 24 horas na Delegacia de Casa Amarela. Ele passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, onde permanece à disposição da Justiça.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a defesa de André Maia, que informou que irá se posicionar quando tiver acesso ao inquérito.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Corregedoria da PM abre processo de expulsão de tenente-coronel preso por feminicídio


 

A Corregedoria da Polícia Militar (PM) abriu um processo de expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, atualmente detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

Réu na Justiça Militar e na Justiça Comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a policial Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro.

O tenente-coronel nega que tenha matado a esposa e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça. Procurada pela reportagem, a defesa de Neto não retornou.

A informação sobre o processo de expulsão foi confirmada ao Estadão pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, e pelo Coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário executivo da pasta.

Se a expulsão for confirmada e Geraldo Neto deixar a corporação, ele perderá de forma definitiva o salário bruto de aproximadamente R$ 29 mil que ele recebe como tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo.

Entenda o caso

Gisele morreu com um tiro na cabeça na manhã do dia 18 de fevereiro, no apartamento em que ela vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Só o casal estava em casa.

Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

A polícia afirma que versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

Fonte: Folha de Pernambuco.

Secretária da Mulher do Cabo é alvo de ataque a tiros em rodovia: "a gente não pode deixar se intimidar "


A secretária da Mulher da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, Aline Melo, foi alvo de um ataque a tiros, no fim da noite de quinta (27).

Apesar do susto, ela e o motorista, identificado como Ewerthon, não sofreram ferimentos. Imagens postadas em redes mostram as marcadas de bala no veículo.

Nas redes sociais, ela se manifestou após o crime. Em uma gravação em vídeo no instargram, Aline afirmou: “A gente não pode deixar se intimidar, Não pode parar o trabalho”, declarou.

Diante do fato, a governadora Raquel Lyra (PSD) enviou uma nota no início da madrugada desta sexta (28).

Informou que está “acompanhando pessoalmente o caso envolvendo a secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, que teve o veículo atingido por tiros”.

Na nota, a governadora disse, ainda, que vai “apurar com rigor e garantir que os envolvidos sejam responsabilizados”.

“Mulheres que ocupam espaços de poder e atuam em defesa de outras mulheres devem ser respeitadas. Pernambuco não aceita essa violência e nossas forças de segurança já estão atuando para responder de forma exemplar a esse episódio”, acrescentou.

Como foi

O crime aconteceu no fim da noite, na rodovia estadual PE-28, na região da Mata do Boto.

Aline estava acompanhada do motorista, quando uma motocicleta se aproximou e ocupantes efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra o veículo.

Os tiros atingiram várias partes do carro, inclusive o banco do passageiro, na altura da cabeça.

O motorista do veículo conseguiu escapar e seguir até a Delegacia do Cabo.

Aline contou que estava distraída no celular e não percebeu a chegada de uma moto com dois ocupantes.
Disse, ainda, que os motoqueiros fizeram uma ultrapassagem pela direita e começaram a atirar.

“Estou assustada, muito assustada. Um tiro pegou no lado direito, na altura da minha cabeça. São centímetros que podem mudar a história”, afirmou.

Por nota, a Prefeitura do cabo informou que procurou "as autoridades competentes" para cobrar rigor nas investigações. 

 Fonte: Diário de Pernambuco.

Senado aprova PL que classifica misoginia como crime de preconceito previsto na Lei do Racismo


 

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira, 24, o Projeto de Lei nº 896/2023, que inclui a misoginia como um dos crimes de preconceito previstos na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989).

O texto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e que teve como relatora a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta é um substitutivo que altera a redação da legislação vigente para incluir o termo "misoginia" entre as formas de preconceito já tipificadas, como as praticadas por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A pena prevista para esse tipo de crime é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

O projeto também promove alteração no Código Penal, que passa a prever, no artigo 141, a seguinte redação: "Se o crime é cometido contra a mulher no contexto de violência doméstica e familiar, aplica-se a pena em dobro".

Na justificativa, Ana Paula Lobato afirma que a misoginia consiste em um sentimento de ódio e aversão às mulheres, além de representar uma forma "extrema e repugnante de racismo".

A parlamentar destaca que, embora já existam leis de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha e o artigo 121 do Código Penal - que define o feminicídio como crime qualificado -, ainda não há uma resposta penal específica e mais severa para a injúria praticada por motivação misógina ou para a disseminação de discursos desse tipo.

Nas redes sociais, a senadora comemorou a aprovação do projeto pelo plenário do Senado. "Uma grande vitória e uma resposta firme a esse tipo de violência, que começa na palavra, no desrespeito e na ideia de que a mulher vale menos. Misoginia é violência e não pode mais ser normalizada", escreveu.

Fonte: Folha de Pernambuco.

Vídeo mostra agressão de cantor contra ex-companheira no Grande Recife


 

Uma influenciadora digital pernambucana denunciou ter sido agredida pelo ex-companheiro, também influenciador e cantor de brega, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O caso, ocorrido no último sábado (21), está sendo investigado pela Polícia Civil como lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica.

A vítima, Taylane Carla, de 29 anos, registrou a agressão em vídeo e divulgou as imagens nas redes sociais. Nas gravações, o homem, conhecido como Arthurzinho Batedeira, aparece limpando a sujeira após arremessar uma marmita contra a parede. Ao tentar intervir, Taylane é empurrada, bate em um ventilador e cai no chão.

Segundo relato da influenciadora, o episódio aconteceu dentro da residência dela, após o ex-companheiro pedir para dormir no local alegando cansaço. Ela afirmou que, ao solicitar que ele deixasse a casa, o cantor elevou o tom de voz e passou a agir de forma agressiva, jogando comida na parede e quebrando um espelho antes da agressão física.

O relacionamento entre os dois durou cerca de três anos e havia sido encerrado há aproximadamente três meses, após a descoberta de uma traição. De acordo com Taylane, mesmo após a separação, o ex continuava frequentando sua casa e insistindo em uma reconciliação.

Até então, segundo ela, não havia histórico de agressões físicas, embora já existissem sinais de comportamento possessivo e ciúmes excessivos desde o início da relação.

Após o ocorrido, a jovem procurou a Delegacia da Mulher de Paulista, onde formalizou a denúncia. Ela relatou ainda que, antes de ser denunciado, o agressor teria pedido para ser avisado, a fim de procurar um advogado.

Em um vídeo publicado posteriormente, Arthurzinho Batedeira reconheceu o erro e pediu desculpas à vítima e a outras mulheres. Ele afirmou estar arrependido e disse que irá respeitar as decisões da Justiça.

“Quero pedir perdão a todas as mulheres do mundo que estão vendo isso. E não se resguarde mesmo, não, se acontecerem essas coisas… Estou muito arrependido de tudo que fiz, que ela nunca mereceu isso, foi um momento de euforia e tal, coisas na mente, e acabei errando. Estou errado e que a Justiça seja feita para eu pagar”, disse.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o caso está sendo apurado pela 5ª Delegacia da Mulher de Paulista como ocorrência de lesão corporal e ameaça, ambos por violência doméstica/familiar.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Estudante pernambucana da rede pública vence concurso internacional de redação


 

Uma estudante da rede pública municipal de Palmares, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, tornou-se a primeira brasileira a vencer o Concurso Internacional de Redação da Paz, promovido pelo Lions Clubs International. Aos 13 anos, Adriene Mirelly, competiu com alunos de diferentes países.

O resultado foi anunciado no último dia 19 de março, durante uma sessão especial do Lions Day, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. O concurso tem como objetivo estimular reflexões sobre a cultura da paz por meio da educação e da escrita.

“Eu recebi a notícia com muita emoção. Foi um momento em que eu nunca vou esquecer. Na hora, parecia que tudo que eu vivi passou pela minha cabeça. Quando soube que eu era a primeira brasileira a vencer, eu senti muita alegria enorme, mas também uma responsabilidade muito grande. Eu pensei em Deus, na minha família, nos meus professores e senti que todo o esforço, todas as dificuldades tinham valido a pena”, afirmou a estudante.

A trajetória dela é marcada por superação. Diagnosticada com glaucoma ainda na infância, Adriene já passou por 13 cirurgias. Segundo a organização do concurso, a jovem encontrou na educação uma forma de transformação e expressão.

“Eu sempre pensei que assim como eu enfrento meus desafios, existem muitas outras crianças no mundo enfrentando situações ainda mais difíceis. Isso me dava forças para continuar. Além disso, o apoio da minha mãe e dos meus professores foi fundamental. Eles sempre acreditaram em mim e isso me fez acreditar também. Eu aprendi que mesmo nos momentos mais difíceis, não desistir é o que pode transformar tudo”, relata a aluna.

Na redação vencedora, a estudante abordou a importância da união, do respeito às diferenças e do papel individual na construção de uma sociedade mais justa. Ela defendeu que a paz se constrói a partir de atitudes cotidianas, como ouvir, compreender e respeitar o outro.

 “A minha inspiração veio muito do que eu vejo acontecendo no mundo hoje. Quando vejo tantas guerras, especialmente no Oriente Médio, eu não consigo deixar de pensar nas crianças que estão vivendo aquilo. Crianças como eu, que deveriam estar estudando, brincando, sonhando... eu tentei me colocar no lugar delas”, explica Adriene.

Além do reconhecimento internacional, Adriene receberá um prêmio de 5 mil dólares, um troféu oficial e uma viagem com despesas pagas para participar da Convenção Internacional do Lions, que será realizada em Hong Kong, em julho.

Fonte: Diário de Pernambuco.

Medida protetiva e tornozeleira eletrônica tentam frear violência contra mulheres


A medida protetiva é hoje um dos principais instrumentos usados pela Justiça brasileira para proteger mulheres vítimas de violência doméstica. Em Pernambuco, a busca por esse tipo de proteção continua elevada. Somente em 2026 já foram concedidas 3.249 medidas protetivas no estado, enquanto em 2025 foram 35.243 decisões desse tipo.

Prevista na Lei Maria da Penha, a decisão judicial impõe restrições ao agressor e cria mecanismos de proteção para evitar novos episódios de violência. Em casos considerados mais graves, a medida pode ser reforçada com o uso de monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira.

A medida protetiva funciona como uma resposta rápida do sistema de justiça diante de situações de violência que acontecem dentro da família, no ambiente doméstico ou em relações íntimas de afeto, como namoro, casamento ou união estável, inclusive quando o agressor é um ex-companheiro.

A juíza de Direito Titular da 1ª Vara de Medidas Protetivas de Urgência no Âmbito da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Ana Mota, explica que a medida pode ser solicitada por qualquer mulher vítima de violência doméstica.

“Toda e qualquer mulher que esteja passando por um problema de violência que acontece entre membros da própria família, em um ambiente doméstico. Essa mulher tem à disposição esse instrumento que a lei coloca para protegê-la e para evitar que novas violências voltem a ser produzidas em desfavor dela.”

Como a mulher pode pedir a medida

Existem diferentes caminhos para solicitar a proteção judicial. A mulher pode procurar uma delegacia e registrar a ocorrência, que será encaminhada ao Judiciário. Também é possível fazer o pedido com auxílio de um advogado particular, pela Defensoria Pública ou por meio do Ministério Público.

Outra possibilidade é a própria vítima fazer a solicitação diretamente à Justiça, sem intermediários. Em Pernambuco, o Tribunal de Justiça disponibiliza um sistema online no qual a mulher pode preencher um formulário eletrônico e enviar o pedido de medida protetiva diretamente para análise judicial.

“Esse pedido vai ser protocolado automaticamente para um juiz de violência doméstica, que tem, no máximo, 48 horas para analisar esse pedido”, complementa a juíza Ana Mota.

A análise dessas solicitações ocorre em caráter de urgência. Em 2026, o prazo máximo para que a Justiça determine a concessão ou não da medida protetiva é de 48 horas após o recebimento do pedido. No ano anterior, em 2025, esse prazo era de até 24 horas para a decisão judicial.

Uma vez concedida, a vítima é informada sobre quais medidas foram determinadas e recebe orientações sobre como agir caso o agressor descumpra as determinações impostas pela Justiça.

Em algumas unidades judiciárias, também são realizadas audiências de acolhimento após a concessão da medida. A juíza Ana Mota destaca que nesses encontros as mulheres recebem orientações sobre o funcionamento do processo, formas de contato com a Justiça e procedimentos a serem adotados caso haja novas ameaças ou episódios de violência.

As medidas protetivas podem incluir diferentes tipos de restrições, dependendo da gravidade do caso. Entre as mais comuns estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e a determinação de que ele não se aproxime da casa, do trabalho ou de locais frequentados pela mulher.

Essas medidas buscam criar uma barreira legal e física entre agressor e vítima para interromper o ciclo de violência.

Mesmo sem a abertura de um processo criminal, a Justiça pode conceder a proteção. A medida protetiva é considerada um procedimento autônomo, ou seja, pode existir independentemente de uma ação penal contra o agressor, destaca a juíza Ana Mota.

Monitoramento eletrônico

Em situações consideradas mais graves ou quando existe risco elevado de aproximação do agressor, a Justiça pode determinar o monitoramento eletrônico.

Nesse caso, o homem passa a usar uma tornozeleira eletrônica que transmite dados de localização para uma central de monitoramento. Ao mesmo tempo, a vítima recebe um dispositivo chamado Unidade Portátil de Rastreamento (UPR).

“A UPR vai vibrar quando esse homem, porventura, venha para perto da vítima. E por que isso é importante? Porque dá tempo de ela acionar a polícia ou sair do local onde está, para evitar que ele se aproxime. O monitoramento é feito pelo Centro de Monitoramento Eletrônico de Pessoas (CEMEP)”, pontua a juíza.

Os dois equipamentos funcionam de forma integrada. O sistema estabelece um perímetro de segurança em torno da vítima, impedindo que o agressor se aproxime da casa, do trabalho ou de outros locais definidos pela Justiça.

O monitoramento é feito pelo CEMEP, que acompanha os deslocamentos do agressor em tempo real. Caso ele rompa a tornozeleira, viole o perímetro de segurança ou se aproxime indevidamente da vítima, o sistema registra a ocorrência.

Dependendo da gravidade da situação, a polícia pode ser acionada imediatamente para intervir e garantir a segurança da vítima.

“O CEMEP aciona a Polícia Militar, que se desloca até o local onde a vítima e o agressor estão e o conduzem pela delegacia”, explica a diretora de Articulação Social e Direitos Humanos da PMPE, a coronel Cristiane Moura.

Além disso, relatórios detalhados são enviados à Justiça, mostrando por onde o agressor circulou, quanto tempo permaneceu em determinados locais e se houve descumprimento das restrições impostas. Com base nessas informações, o juiz pode decidir por advertências, reforço das medidas ou até a decretação da prisão do agressor.

A violência doméstica costuma seguir um padrão progressivo. Em muitos casos, episódios iniciais de ameaça ou agressão verbal evoluem para violência física e patrimonial antes de chegar a situações mais graves. De acordo com a coronel Cristiane Moura, a PM também realiza o acolhimento e escuta das vítimas.

“Nós temos um protocolo em que os policiais todos são capacitados para um atendimento humanizado, uma escuta acolhedora, algo mais intimista. Então os policiais passam por uma capacitação para poder lidar com a temática e a gente segue esse protocolo interno.”

Em situações de risco imediato ou quando o agressor se aproxima indevidamente, a orientação é que a vítima acione a Polícia Militar pelo telefone 190. Atualmente, Pernambuco tem 37 unidades operacionais da PM, todas elas com a Patrulha Maria da Penha.

Fonte: Diário de Pernambuco.


Bullying não tratado compromete desenvolvimento na fase adulta e capital humano, diz economista


O ataque registrado dentro da Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, na última semana, deixou três alunas feridas e mostrou lacunas no acompanhamento de conflitos entre estudantes e na estrutura de proteção dentro das escolas. Para o economista e especialista em políticas públicas e membro da ONU Jefferson Lucas, a situação tem impactos na vida adulta, no desenvolvimento profissional e no mercado de trabalho.

O caso aconteceu em sala de aula quando um adolescente de 14 anos, aluno do 1º ano do ensino médio, entrou na unidade com uma faca e feriu três colegas, com idades entre 11 e 13 anos. Uma das vítimas foi socorrida em estado mais grave e segue internada no Hospital da Restauração (HR), no Recife, após apresentar comprometimento nos movimentos das pernas. As outras duas estudantes já receberam alta.

O jovem foi apreendido pela Polícia Militar e permanece sob internação provisória, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por até 45 dias. Informações do Conselho Tutelar e da família indicam que ele vinha sendo alvo de bullying há anos, elemento que passou a ser considerado central para a compreensão do episódio.

Na avaliação do economista Jefferson Lucas, o impacto da falta de acompanhamento não se limita ao ambiente escolar e tende a se prolongar ao longo da vida desses jovens. “Esses jovens, daqui a alguns anos, estarão no mercado de trabalho, serão pais. Como alguém que não foi cuidado vai conseguir cuidar de outra pessoa? Quem não foi tratado não consegue ajudar o outro da forma adequada. Os impactos são de longo prazo.”
Jefferson Lucas também chama atenção para efeitos menos visíveis, como os impactos econômicos associados à violência escolar.

“A violência escolar aumenta a evasão, reduz a produtividade no futuro e compromete o desenvolvimento do capital humano. Uma pessoa que não recebeu apoio adequado terá prejuízos no seu desenvolvimento. Ou seja, não é apenas um problema social, e isso é muito importante, mas também um problema de desenvolvimento do país.”

Esse cenário, segundo ele, acaba gerando um efeito em cadeia que ultrapassa os limites da escola e alcança toda a sociedade. “O impacto econômico e social funciona como um efeito dominó. Aumenta a sensação de insegurança na comunidade. Os pais deixam de confiar na escola, que deveria ser um ambiente seguro. Isso pressiona o sistema público, gera mais demanda na saúde, na segurança e na assistência social”, diz.

Falhas no sistema

A partir desse contexto, o economista Jefferson Lucas avalia que o episódio aponta falhas acumuladas na forma como o ambiente escolar lida com situações de exclusão e violência. “Esse não é o momento de procurar culpados. Quando a gente soma esforços, ou seja, deixa de lado a polarização e as disputas, a gente consegue avançar e enxergar falhas sociais, emocionais e institucionais. Esse problema não é individual, ele é uma falha de estrutura”, afirma.

Na avaliação do especialista, o episódio de Barreiros poderia ocorrer em outras escolas do país, justamente pela ausência de mecanismos articulados de prevenção e acompanhamento.

“Esse exemplo da escola em Barreiros poderia ser replicado em outras escolas, e isso mostra justamente essa falha estrutural. Falta uma rede integrada de proteção envolvendo escola, família, poder público e profissionais especializados. No Brasil, de forma geral, ainda se trata a saúde emocional dentro das escolas como algo secundário, sem a devida importância e valorização”, observa.

O histórico de bullying, apontado por familiares do adolescente, é interpretado por Jefferson Lucas como parte de um processo que se desenvolve ao longo do tempo, muitas vezes sem intervenção adequada. Segundo ele, o problema começa em situações anteriores que acabam ignoradas ou subestimadas.

“Neste caso, o agressor também já foi vítima. Segundo a própria avó, ele já vinha sofrendo há anos. Isso vai se acumulando até chegar a um ponto de esgotamento. E isso precisa ser identificado e tratado desde o início”, afirma.


Para o especialista, a ausência de resposta nos primeiros sinais agrava o cenário e dificulta qualquer tentativa posterior de controle. “Quando você identifica o risco no começo, é muito mais fácil de combater. É como uma gripe: você não espera virar pneumonia para procurar um hospital”, diz.

Iniciativas para prevenção

Ele cita que há iniciativas internacionais voltadas justamente para esse tipo de prevenção, com foco na formação de professores e na criação de ambientes escolares mais preparados para lidar com conflitos.

“A UNESCO, em parceria com o Brasil, com instituições de ensino e com a sociedade, pode desenvolver programas de prevenção, materiais pedagógicos e treinamentos para professores, focados na educação socioemocional, na cultura de paz e na identificação precoce de sinais de risco”, afirma.

Apesar disso, segundo ele, ainda há resistência por parte de gestores e instituições em tratar o tema como prioridade, especialmente quando envolve investimento em equipes especializadas.

“Muitas vezes, principalmente no setor privado, isso ainda é visto como um gasto. Há uma resistência em investir em profissionais de saúde emocional. Mas isso não é gasto, é investimento. É investimento na saúde de adolescentes, crianças e jovens”, argumenta.
No campo das soluções, o especialista afirma que não há necessidade de medidas complexas, mas de organização e continuidade nas ações.

“De forma bem concreta, o caminho não é complexo, mas exige coordenação. É preciso organização. Começa pelo básico, com capacitação de professores, rodas de conversa com alunos e pais, porque sem esse diálogo muita coisa fica reprimida e acaba se agravando”, afirma.

Ele também aponta falhas em protocolos de segurança dentro das próprias unidades de ensino, como no controle de acesso. “Também são necessários protocolos simples de identificação de risco. Como é que uma criança entra em uma escola armada, mesmo que com arma branca? Isso é inaceitável. É preciso ter protocolos de segurança na entrada, principalmente em escolas sem controle adequado.”

Para Jefferson Lucas, o Brasil já dispõe de experiências e modelos que poderiam ser aplicados com resultados visíveis, mas ainda enfrenta dificuldades de articulação entre diferentes setores.

Fonte: Diário de Pernambuco.


Manhã, tarde ou noite: qual é o horário ideal pra ter o melhor rendimento no treino?


 

Quer evitar doenças cardíacas e AVCs, então se exercite entre 8h e 11h. Agora se o objetivo for controlar o diabetes ou aumentar a massa muscular, prefira exercícios a tarde ou a noite.

Essas recomendações representam um compilado de diversos estudos recentes sobre cronoexercício ou cronoatividade. Esse crescente campo de investigação analisa a relação entre o relógio biológico e a forma como o corpo aproveita os exercícios.

Lembrando que embora seguir essas recomendações possa otimizar os efeitos da atividade física de acordo com cada necessidade, o ideal é incluir a prática de atividade física no horário que melhor funciona na rotina de cada um. Fazer exercícios rotineiramente é fundamental para manter uma boa saúde, mais do que se movimentar esporadicamente, em horários determinados.

Confira abaixo as principais descobertas e entenda qual é o melhor horário para você se exercitar.
Aumentar os músculos

Vários estudos sugerem que o fim da tarde e a noite são os melhores momentos para trabalhar a força muscular. Isso porque nossos músculos aumentam de força durante o dia. Sendo assim, ao fazer exercícios de força ou resistência no final da tarde, eles estão no pico de força, o que permite levantar mais peso, por mais tempo. Em outras palavras, isso significa que é possível construir músculos de forma mais eficaz e eficiente, e com menos esforço percebido, nesse período.

Homens também parecerem se beneficiar mais do horário vespertino. Dados do Skidmore College mostram que homens que se exercitavam no final do dia reduziram acentuadamente a pressão arterial, o colesterol, a gordura corporal e a sensação de fadiga, em comparação com aqueles que se movimentaram pela manhã.

Gordura abdominal

Outro trabalho, feito por pesquisadores da Skidmore College, nos EUA, descobriu que mulheres que se exercitam pela manhã perdem mais gordura abdominal do que as que se exercitam no final do dia. As matutinas também eram mais propensas a ter pressão arterial mais baixa.

Saúde cardiovascular

O mais recente trabalho sobre o assunto, publicado na revista científica European Journal of Preventative Cardiology, concluiu que se exercitar entre 8h e 11h, de preferência, mais perto das 11h, faz bem para a saúde cardiovascular. No trabalho, os pesquisadores monitoraram 86.657 pessoas com idade entre 42 e 76 anos, durante um período de seis anos, usando dados de frequência cardíaca coletados por rastreadores de pulso.

Os dados mostraram que todos os participantes obtiveram maiores benefícios cardiovasculares quando praticaram exercício pela manhã, preferencialmente no final dela, independente de sua cronobiologia pessoal.

Mas as mulheres parecem se beneficiar mais, refletindo estudos anteriores que descobriram que a manhã é um horário particularmente eficaz para as mulheres praticarem atividade física.

Alongamento
Estudos indicam que a noite pode ser a melhor hora para se alongar. Nossas articulações e músculos aumentam em flexibilidade com o passar do dia, chegando ao pico às 19h.

Isso significa que podemos alongar mais profundamente, com maior amplitude de movimento e com menos chances de lesões. Alongar-se à noite também parece reduzir a tensão muscular e o aperto na manhã seguinte, além de relaxar o corpo antes de dormir.

Quando não se exercitar

De acordo com o estudo publicado na revista European Journal of Preventative Cardiology, se exercitar entre meia-noite e 6h está associado a um maior risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC). Talvez isso possa ser explicado pelo fato que durante a noite, o organismo está programado para entrar no modo de descanso e reparo.

Fonte: Folha de Pernambuco.

Rolagem infinita será proibida ao público infantil nas redes


 

O decreto que regulamenta a Lei do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), publicado nesta quarta-feira (18), proíbe algumas práticas consideradas manipulativas do público infantil embutidas no design de produtos e serviços de ambientes virtuais.

Uma delas é a chamada rolagem infinita, recurso que carrega novos conteúdos automaticamente, sem solicitação, à medida que o usuário rola a página para baixo, eliminando a necessidade de clicar para ver postagens e publicações mais antigas.

Esse tipo de recurso é comumente integrado ao uso de redes sociais como Instagram, Facebook, TikTok e serviços de vendas online, criando um fluxo contínuo e ininterrupto de informações, especialmente na navegação por meio de dispositivos móveis, como smartphones.

A reprodução automática de vídeos, conhecida como autoplay, presente em aplicativos de vídeos, também é outro exemplo de recurso que deverá ser proibido a crianças e adolescentes que usam serviços digitais.

Caberá à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), entidade central responsável por regulamentar e fiscalizar o cumprimento do ECA Digital, definir mais precisamente quais são esses novos requisitos técnicos e de segurança. O objetivo é justamente vetar práticas manipulativas.

"Os chamados design manipulativos são escolhas de arquitetura de produtos digitais de aplicativos que podem explorar vulnerabilidades de crianças e adolescentes, gerando, por exemplo, sensações de angústia, de urgência", explicou o secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Fernandes.

O secretário exemplifica que dentre essas práticas manipulativas, o decreto elenca recursos de rolagem infinita e notificações compulsórias, "que dão prazo e uma sensação de escassez e imediatismo nas notificações".

Orientações

Na sexta-feira (20), a ANPD deve disponibilizar um documento preliminar com orientações para a adoção de mecanismos confiáveis de aferição de idade. Esta é uma das exigências mais importantes do ECA Digital: a verificação etária para garantir que o usuário com idade menor que 18 anos não consiga acessar produtos, serviços e conteúdos inadequados para a idade.

De acordo com a lei, a verificação de idade não deve violar a proteção de dados das pessoas que usam produtos e serviços virtuais.

"A lei já define o que são mecanismos confiáveis [de aferição etária], o decreto avança em traduzir isso em requisitos e a ANPD vai dar maior concretude ao que se espera dos fornecedores de serviços e produtos digitais, que já devem estar se adequando, para cumprir, por exemplo, requisito de acurácia, privacidade, proporcionalidade e assim por diante", explica o integrante do Conselho Diretor da ANPD Iagê Miola.

A entidade também vai promover consultas públicas ao longo dos próximos meses para consolidar modelos mais definitivos sobre os novos requisitos de segurança para o público infantojuvenil nos ambientes digitais.

Regulamentação

Ao todo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou três decretos que regulamentam o ECA Digital durante cerimônia no Palácio do Planalto, com presença de ministros, parlamentares e organizações da sociedade civil.

Entre as novidades, está a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, ligado à Polícia Federal (PF), com a atribuição de centralizar denúncias e investigações de crimes digitais detectados e reportados pelas plataformas.

Sancionado em setembro do ano passado, o ECA Digital entrou em vigor nesta semana, com diretrizes mais rigorosas sobre os direitos do público infantojuvenil, para garantir que a proteção prevista no mundo real ocorra também no ambiente virtual dos serviços e aplicativos de internet e jogos eletrônicos.

Coordenadora do Instituto Alana, Maria Mello destacou que a regulamentação do ECA Digital representa um momento histórico e o resultado de uma construção coletiva envolvendo organizações da sociedade civil, além dos poderes Executivo e Legislativo.

"Damos um passo firme em direção à implementação de uma lei histórica, inovadora e pioneira, que responde aos anseios da nossa sociedade e olha para as milhares de famílias que carregam todos os dias o peso e a angústia de tentar proteger seus filhos num ambiente desenhado para capturar a atenção, promover o vício, explorar vulnerabilidades e lucrar com a infância", afirmou durante o evento no Palácio do Planalto.

Maria Mello também ressaltou que a nova legislação inaugurou um marco na proteção da infância no ambiente online. "Essa é uma lei que protege crianças e adolescentes na internet, e não da internet. Coloca em prática diversos elementos que estruturam a nossa Constituição Federal", acrescentou.

Fonte: Diário de Pernambuco.

PM morta em SP: Polícia pede a prisão de tenente-coronel, marido da vítima


 

A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, nesta terça-feira, 17. O policial é suspeito pela morte da mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada na cabeça no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O argumento é que, em liberdade, o tenente-coronel pode atrapalhar as investigações da morte da PM.

A defesa do tenente-coronel diz que aguarda uma decisão do Judiciário. Caso a prisão seja decretada, o advogado Eugênio Malavasi diz que entrará com um pedido de habeas corpus.

Segundo Geraldo Neto, a esposa teria tirado a própria vida dentro de casa no dia 18 de fevereiro, em um apartamento localizado no Brás, região central de São Paulo, momentos depois de uma discussão na qual ele teria proposto a separação do casal. Na versão do policial, ele estava no banho no início da manhã daquele dia quando ouviu o barulho de um disparo e, em seguida, encontrou Gisele já baleada no chão.

Em entrevista à TV Record, Neto falou pela primeira vez sobre o caso. O policial diz que estava no banheiro quando ouviu um barulho forte e que, ao abrir a porta, encontrou a mulher caída na sala com um tiro na cabeça. O tenente-coronel negou ter matado a policial militar.

“Eu estava no banho e escutei um barulho forte. Não desliguei o chuveiro, apenas abri o box. Quando eu abri o box, eu abri um pedacinho da porta. Achei que ela estivesse em pé na porta do banheiro querendo falar comigo. Quando eu abri a porta, deu pra ver. Ela estava caída no meio da sala com a cabeça no chão. Tinha uma poça de sangue se formando ao lado da cabeça. Foi a cena mais traumatizante... a pior cena que já vi em toda a minha vida”, afirmou.

Laudo aponta marcas no pescoço

O laudo da exumação da soldado da Polícia Militar, morta no mês passado, aponta que ela sofreu lesões “contundentes” no pescoço. Na versão do marido dela, ela teria cometido suicídio após uma discussão entre os dois.

“Existiram lesões na face e região cervical. São lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal” (causadas pela unha), aponta o laudo, ao qual o Estadão teve acesso. O documento indica ainda que não foram observadas lesões típicas de defesa.

No laudo necroscópico feito em 19 de fevereiro, um dia após a morte, os peritos já tinham apontado lesões no pescoço de Gisele mas não mencionaram tratar-se de marcas “contundentes”.

A morte chegou a ser registrada como suicídio, mas a classificação mudou após a família de Gisele afirmar que a soldado sofria abusos e violência por parte do marido. O caso passou, então, a ser tratado como morte suspeita.

A Justiça de São Paulo determinou no dia 10 de março que a polícia investigasse a morte da policial como feminicídio.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

Fonte: Jornal do Commercio.

Brasil tem menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos, diz Unicef


 

O relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado nesta terça-feira (17) pelas Nações Unidas, aponta que o Brasil alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças abaixo dos cinco anos dos últimos 34 anos.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um conjunto de políticas adotadas pelo país têm diminuído as mortes preveníveis de crianças, em consonância com a tendência global.

Em 1990, a cada mil crianças nascidas, 25 morriam ainda recém-nascidas, antes de completar 28 dias de vida. Em 2024, o número caiu para sete a cada mil.

O mesmo aconteceu com a probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade. No Brasil, em 1990, a cada mil crianças que nasciam, 63 faleciam antes do quinto aniversário. Nos anos 2000, a taxa caiu para 34 a cada mil e, em 2024, chegou a 14,2 mortes.

Entre as políticas públicas citadas para este resultado, está o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a expansão da rede pública de saúde. Juntas, essas iniciativas que ajudaram a promover a saúde de mães, bebês e crianças desde os anos 1990 e foram operacionalizadas com o apoio da sociedade brasileira e de organizações internacionais, como o próprio Unicef.

"Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam, e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta", explica Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil.

"E essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação. Agora, precisamos voltar a acelerar esses esforços, mantendo e ampliando os avanços históricos das últimas décadas e alcançando aqueles nos quais essas políticas ainda não chegam como deveriam", enfatiza.

Apesar dos avanços, o Brasil também viu uma desaceleração na queda da mortalidade de crianças na última década, em linha com a tendência global.

Entre 2000 e 2009, por exemplo, o país diminuía a mortalidade de recém-nascidos em 4,9%, todos os anos. Já entre 2010 e 2024, a redução passou a ser de 3,16% ao ano.

O levantamento mostra que as mortes de crianças menores de cinco anos no mundo caíram em mais da metade, globalmente, desde 2000, mas desde 2015, há pouco mais de uma década, o ritmo de redução da mortalidade infantil desacelerou mais de 60%.

Adolescentes e jovens

O relatório da ONU sobre mortalidade também revela que aproximadamente 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre cinco e 24 anos morreram em 2024 no planeta.

No Brasil, no mesmo ano, a violência foi responsável por quase metade (49%) das mortes de meninos de 15 a 19 anos, com doenças não transmissíveis ocupando o segundo lugar (18%). Acidentes de trânsito foram a terceira causa mais comum (14% das mortes).

Entre meninas na mesma faixa etária, doenças não transmissíveis foram a principal causa de morte (37%), seguidas por doenças transmissíveis (17%), pela violência (12%) e pelo suicídio (10%).

Recomendações
Citando apontamentos do relatório, o Unicef reforça que as evidências mostram que investimentos em saúde infantil estão entre as medidas de desenvolvimento com melhor custo efetivo.

Intervenções comprovadas e de baixo custo, como vacinas, tratamento da desnutrição e profissionais de saúde qualificados na gestação, parto e pós-parto, dão alguns dos maiores retornos em saúde global, aumentando a produtividade, fortalecendo economias e reduzindo gastos públicos futuros.

Cada US$ 1 investido na sobrevivência infantil pode gerar até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos, aponta a entidade.

O relatório global foi feito pelo Grupo Interagencial das Organizações Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), em parceria com Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (ONU) e Departamento Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU).

Fonte: Diário de Pernambuco.

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