O maracatu de baque solto, também
conhecido como maracatu rural, teve início na zona da mata norte entre os
séculos XIX e XX. Onde trabalhadores das zonas canavieiras culminaram costumes
e tradições de origem africana, europeia e americana (indígena) e criou algo
único que representava a cultura de uma pequena comunidade de uma região que
não era valorizada e que posteriormente iria ser reconhecido mundo a fora.
Quando se fala sobre maracatu uma
das cidades que mais se destaca é Nazaré da Mata, não apenas pela sua atual
relação com o folguedo, mas sim pela sua longa história. Quando Nazaré da Mata
se desmembrou de Igaraçu em 1833 ela se tornou um município extenso,
pertencendo a ela na época os territórios que hoje são os municípios de
Aliança, Buenos Aires, Condado, Lagoa do Carro, Tracunhaém e Vicência e foi a
18ª cidade mais populosa da República Velha de acordo com o Senso de 1920. Com toda
essa grande extensão territorial havia vários engenhos canavieiros, alguns que
se destacam até os dias de hoje como o Engenho Bonito, Engenho Salgadinho e
Engenho Veludo, a cidade concentrava uma grande população rural contendo escravizados
e seus descendentes. Após a abolição da escravatura em 1888 a população negra
rural procurava um meio de manter sua cultura viva transpassando as futuras
gerações sendo resistência e indo contra as políticas da época que eram o
apagamento histórico-cultural dos afrodescendentes, com isso foi fundado os
primeiros grupos de maracatu, o Cambindinha de Araçoiaba (1914) e o Cambinda
Brasileira de Nazaré da Mata (1918) que estão em atividade até os dias de hoje.
O maracatu Coração Nazareno
entrou para a história por esse feito, pois antes de sua fundação mulheres não
podiam participar de grupos de maracatu. Com discursos repletos de superstições
que explicavam o motivo de mulheres não darem vida a personagens de maracatu, homens
e mulheres defendiam com toda vigor, mas por trás de cada palavra dita era
nítida a misoginia enraizada que refletia nos olhos de quem falava. Foi ai que
Eliane Rodrigues, que já vinha lutando pela liberdade e empoderamento feminino
e usando como lema “Lugar de mulher é onde ela quiser” olhou para a cultura
popular – lugar dominado majoritariamente por homens – e em 2004 fundou o
maracatu de baque solto Coração Nazareno, apesar dos percalços enfrentados no
início de sua fundação o maracatu Coação Nazareno segue firme e forte mudando o
cenário da cultura popular fazendo com que maracatus mais antigos liberassem acesso
a mulheres participarem além dos bastidores.
Para o Coração Nazareno o carnaval de 2026 deu-se início no dia 25 de janeiro onde foi feito a primeira apresentação do ano no Circuito Leda Alves da Cultura Popular no Recife, e suas apresentações segue até a terça-feira de carnaval no cortejo de Brasília Teimosa no Recife. Entre as apresentações participará da abertura do encontro de maracatus no município de Nazaré da Mata - cidade onde situa sua sede - que é polo turístico do maracatu no país e considerado uma honra para todos os maracatuzeiros a participação nesse evento na segunda-feira de carnaval.
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