Um projeto que reúne tecnologia,
telemedicina e capacitação de profissionais de saúde pretende ampliar o
diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas em recém-nascidos.
Com participação do Círculo do Coração, organização da sociedade civil
fundada em Recife, a iniciativa prevê a expansão de um modelo desenvolvido pela
instituição para oito hospitais públicos nas cinco regiões do Brasil.
A ação é realizada em parceria
com a Philips Foundation e a Children’s HeartLink, com apoio da Philips Brasil.
Ao longo de três anos, a expectativa é que aproximadamente 10 mil
recém-nascidos sejam submetidos anualmente à triagem cardíaca nas unidades participantes
nos estados de Roraima, Amazonas, Maranhão, Ceará, Goiás, Minas Gerais,
Santa Catarina e Pernambuco.
As cardiopatias congênitas são
alterações na estrutura ou no funcionamento do coração presentes desde o
nascimento. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 30 mil crianças
nascem por ano no Brasil com a condição e aproximadamente 40% precisam de
cirurgia ainda no primeiro ano de vida.
Tecnologia para aproximar
especialistas
A proposta é levar parte da
capacidade de diagnóstico para dentro das próprias maternidades, inclusive em
regiões onde o acesso a especialistas é mais limitado. Os profissionais que
atuam na linha de frente serão capacitados para realizar a avaliação dos recém-nascidos
por meio de exame clínico, oximetria de pulso e ultrassonografia.
Os equipamentos doados pela
Philips Foundation contam com recursos de telemedicina. Com isso, imagens
produzidas durante a avaliação poderão ser compartilhadas com especialistas,
permitindo suporte remoto e discussão dos casos em tempo real.
Na prática, a ferramenta pretende
reduzir a distância entre as equipes que estão nas maternidades e os
profissionais especializados em cardiologia pediátrica. A expectativa é
facilitar a identificação de alterações e agilizar o encaminhamento dos bebês
que necessitem de avaliação ou tratamento especializado.
Modelo desenvolvido na Paraíba
Antes da expansão nacional, o
Círculo do Coração desenvolveu a metodologia em 21 maternidades da Paraíba. A
nova etapa levará o modelo para outras oito unidades públicas, incluindo
regiões onde o acesso a especialistas é mais restrito.
Para a médica Sandra Mattos,
fundadora do Círculo do Coração, a experiência já desenvolvida na Paraíba
mostrou que a combinação entre capacitação profissional e tecnologia pode
ampliar a autonomia das equipes locais. “Quando qualificamos o profissional que
está na maternidade e o conectamos a ferramentas avançadas de diagnóstico, nós
mudamos o desfecho clínico dessas crianças. Não se trata apenas de tecnologia,
mas de dar autonomia para as equipes locais salvarem vidas na linha de frente”,
afirmou.
Entre as áreas contempladas está
a região de fronteira entre Peru e Colômbia. O projeto prevê que o conhecimento
adquirido durante a implementação seja documentado para que a metodologia possa
ser adaptada e reproduzida posteriormente em outras regiões do Brasil e da
América Latina.
Segundo a iniciativa, a proposta
não se limita à distribuição dos equipamentos. O programa envolve a formação
dos profissionais que estarão diretamente envolvidos na triagem e a conexão
dessas equipes com especialistas por meio da telemedicina.
Apoio a centros de alta
complexidade
A parceria também prevê uma
frente voltada ao atendimento de casos mais complexos. O Instituto do Coração
(InCor), em São Paulo, e o Hospital de Messejana, em Fortaleza, receberão
mentoria técnica especializada e ferramentas para aprimorar o manejo de
pacientes pediátricos que necessitam de intervenções cirúrgicas.
A Children’s HeartLink participa
dessa etapa com o objetivo de fortalecer as equipes e os sistemas de
atendimento dos hospitais. A organização atua desde 1969 e mantém parcerias
voltadas à cardiologia pediátrica em diferentes países. No Brasil, a
instituição possui parceria com o Hospital de Messejana desde 2015 e com o
InCor desde 2018.
Círculo do Coração
Fundado em 1994, no Recife, o Círculo
do Coração atua na ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e prevenção
de doenças cardiovasculares, com atenção especial a crianças e populações em
situação de vulnerabilidade.
A instituição afirma ter
desenvolvido mais de 300 projetos sociais e científicos ao longo de sua
história, além de ações de capacitação de profissionais de saúde. A experiência
também deu origem à Rede LEGOS de Cardiologia Pediátrica, iniciativa voltada à
integração de instituições e profissionais para ampliar o diagnóstico precoce e
fortalecer redes de atendimento.
Com a nova parceria, a
organização pernambucana passa a levar para outras regiões do país uma
metodologia desenvolvida a partir de sua experiência na Paraíba, combinando
capacitação, equipamentos de ultrassonografia e suporte remoto de
especialistas.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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