Os candidatos ao Governo de
Pernambuco apostam em caminhos diferentes para ampliar a atividade econômica,
atrair investimentos e gerar empregos no Estado. Nos planos de governo, Raquel
Lyra (PSD), João Campos (PSB), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão)
apresentam propostas que passam pela expansão da capacidade produtiva,
fortalecimento de empresas e cadeias locais e interiorização do
desenvolvimento, mas divergem sobre o papel dos grandes investimentos, dos
incentivos fiscais e da máquina estatal na condução da economia.
Entre os pontos comuns estão a
preocupação com a geração de empregos e a necessidade de ampliar a capacidade
produtiva de Pernambuco. As diferenças aparecem principalmente na estratégia:
enquanto Raquel Lyra aposta na continuidade de investimentos, na atração de
capital privado e no fortalecimento de polos como Suape, João Campos propõe uma
agenda de reindustrialização associada à inovação e à criação de novos
instrumentos de desenvolvimento.
Ivan Moraes concentra sua
proposta no fortalecimento de pequenos negócios, cooperativas e economia
popular, enquanto Renan Hallais enfatiza produtividade, competitividade e
condicionamento dos incentivos públicos à geração de resultados econômicos.
Raquel Lyra
O plano de Raquel Lyra associa o
desenvolvimento econômico à continuidade e ampliação dos investimentos públicos
e à atração de capital privado. A estratégia passa pelo fortalecimento da
infraestrutura necessária à atividade produtiva e pela criação de condições
para que Pernambuco receba novos empreendimentos. Entre as propostas estão a
recuperação e duplicação de rodovias, o avanço de obras estruturantes e a
ampliação da capacidade logística do Estado.
Na política industrial, Suape
aparece como um dos principais vetores da estratégia, com propostas
relacionadas à modernização do complexo portuário, à Zona de Processamento de
Exportação (ZPE), à Transnordestina e à atração de investimentos em setores
ligados à transição energética e à produção de combustíveis sustentáveis. A
proposta também prevê o fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais (APLs),
instrumentos de crédito para micro e pequenos empreendedores e medidas de
desburocratização.
O programa também busca ampliar a
participação de Pernambuco em setores considerados estratégicos, com destaque
para a economia de baixo carbono e novas cadeias industriais. A proposta mantém
a combinação entre incentivos, infraestrutura e atuação da Agência de
Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) como instrumentos para melhorar
o ambiente de negócios.
João Campos
O candidato do PSB apresenta
uma proposta de desenvolvimento econômico centrada na reindustrialização de
Pernambuco e na tentativa de elevar a complexidade da economia estadual. O
plano prevê a busca por setores de maior valor agregado, com maior incorporação
de tecnologia e capacidade de produzir empregos qualificados. Para isso, o
candidato propõe combinar política industrial, inovação, ciência e tecnologia e
novos instrumentos de financiamento e estímulo à atividade produtiva.
Entre as medidas estão a
reformulação da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), a
adaptação do Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe) às mudanças
provocadas pela Reforma Tributária e a criação de novos distritos
industriais.
A agenda econômica de João também
incorpora tecnologia como instrumento de geração de empregos e aumento da
produtividade. O plano prevê polos tecnológicos e mecanismos de conexão entre
empresas, universidades e centros de pesquisa, além de iniciativas voltadas à
modernização de setores tradicionais da economia. No campo da produção rural,
propostas como o Centro Conecta Agro e o Vale AgroTech do São Francisco seguem
essa mesma lógica, aproximando atividade econômica, inovação e novos
mercados.
Ivan Moraes
O programa de Ivan Moraes
apresenta uma concepção de desenvolvimento econômico baseada na redução das
desigualdades e no fortalecimento de atividades produtivas de menor escala. Em
vez de concentrar a política econômica na atração de grandes empresas, o
programa dá maior espaço a micro e pequenos negócios, cooperativas,
trabalhadores informais e empreendimentos da economia popular. O diagnóstico
apresentado pelo candidato parte justamente da concentração de renda e das desigualdades
econômicas e territoriais de Pernambuco.
Entre as propostas estão a
ampliação do crédito público e do microcrédito orientado, compras
governamentais de pequenos produtores e empreendedores, bancos comunitários,
moedas sociais, fundos rotativos e fortalecimento da economia solidária. A
ideia é utilizar o poder de compra e as estruturas financeiras do Estado para
estimular negócios locais e fazer com que uma parcela maior da renda circule
nos próprios territórios.
O plano prioriza a criação de condições
para que pequenos empreendimentos, cooperativas e trabalhadores tenham maior
capacidade de produzir e acessar mercados. A proposta, portanto, desloca o
centro da política econômica da competição por grandes investimentos para a
ampliação da base produtiva e da participação de pequenos agentes na economia
pernambucana.
Renan Hallais
O candidato do Missão apresenta
uma política econômica orientada principalmente pela produtividade,
competitividade e atração de investimentos. O plano defende a melhoria das
condições para a atividade empresarial e a redução dos custos que afetam a
produção, com investimentos em infraestrutura e logística para conectar as
regiões produtoras aos mercados consumidores e aos grandes equipamentos
econômicos do Estado.
Um dos pontos centrais da
proposta está na revisão da política de incentivos fiscais. O programa defende
que benefícios concedidos pelo Estado sejam acompanhados de contrapartidas e
avaliados a partir de resultados concretos, como geração de empregos formais, aumento
da produtividade, realização de investimentos, ampliação futura da arrecadação
e compras de fornecedores locais. A ideia é vincular a renúncia de receita
pública a resultados econômicos mensuráveis, em vez de tratar o incentivo
fiscal apenas como mecanismo de atração de empresas.
De forma geral, o plano procura
combinar atração de investimentos com aumento da produtividade das empresas
instaladas em Pernambuco e maior integração entre produção local e mercado,
tendo a geração de empregos formais como uma das contrapartidas esperadas da
política econômica.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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