A exigência do diploma para o
exercício do jornalismo, revogada há 17 anos por decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), voltou ao debate público no último dia 18, justamente a partir
da Corte. Enquanto julgavam uma ação envolvendo um pedido de direito de
resposta, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino defenderam
publicamente uma nova discussão sobre o tema. Na ocasião, Dino avaliou que a
dispensa do diploma se tornou um “complicador”, dificultando a análise de casos
ligados à liberdade de imprensa. Moraes, por sua vez, afirmou que as garantias
constitucionais da imprensa não podem ser usadas automaticamente por quem
utiliza as redes sociais para praticar crimes contra a honra ou espalhar desinformação.
Diante da repercussão, entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas
(Fenaj) e a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
(Intercom), assim como outras associações científicas e profissionais da área,
também vieram à público defender a revisão dessa decisão. O debate, contudo,
interessa a toda sociedade brasileira, sem distinção de categoria trabalhista.
Afinal, você já parou para
refletir sobre o pânico que todos nós sentimos quando, em janeiro de 2025, uma
onda de boatos se instalou nas redes sociais, sugerindo que o pix - uma das
revoluções econômicas do Brasil - seria taxado pelo Governo Federal? Tudo começou
a partir de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG),
que alcançou mais de 300 milhões de visualizações em dois dias. Não faltaram
páginas duvidosas e influenciadores digitais que, travestidos da linguagem
jornalística e de táticas de clickbait e manipulação para alimentar o movimento
de desinformação sobre o tema. Coube ao jornalismo ético, preciso e de
qualidade nos trazer à lucidez: “O pix não vai ser taxado. Entenda”.
Nos últimos anos, o Jornalismo
viu seu modelo de negócios ruir, a profissão se precarizar ainda mais e a sua
credibilidade ser constantemente questionada por líderes políticos
mal-intencionados, blogueiros, coaches e outros atores que disputam regimes de
verdade em uma sociedade em crise.Nos acostumamos a lidar com termos como
pós-verdade, fake news…Palavras da moda que traduzir o quanto a desinformação
ameaça a nossa democracia, pelo seu potencial de distorcer a compreensão da
opinião pública sobre temas críticos, tais como a integridade das urnas
eletrônicas, mudanças climáticas, ciência e saúde pública. Às vésperas das
eleições 2026, como enfrentar esse cenário e garantir que cidadãs e cidadãos
tenham acesso à informação de qualidade para fazerem as melhores escolhas, em
prol da coletividade?
Certamente, a “vacina” para
mitigar esse problema passa pela garantia de que vamos consumir informações
guiadas pelo rigor jornalístico e pela ética. Neste sentido, a formação
superior é indispensável para qualificar o exercício profissional. É no espaço
da universidade, onde se produz conhecimento e pensamento crítico, que
jornalistas em formação aprendem sobre técnicas rigorosas de apuração e
mineração de dados, critérios de noticiabilidade, compromisso ético e, mais
importante, sobre as consequências nocivas que a divulgação de uma notícia
mal-acurada pode provocar.
Karoline Fernandes - jornalista,
mestra em Comunicação e doutora em Ciência da Informação. CEO da startup
Literacia Edu.


Nenhum comentário:
Postar um comentário