O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta
segunda-feira (1º), que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os
Estados Unidos ficam igualmente “incomodados” com o Pix. Na semana passada, o
governo dos EUA designou facções brasileiras como terroristas, após uma visita
do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente americano, Donald Trump.
“Acho que gera um incômodo à família Bolsonaro, que deve estar incomodada com o
Pix, e gera um incômodo aos norte-americanos, que também estão apontando o Pix
o tempo todo como algo que pode atrapalhar os negócios”, disse Durigan, em
entrevista ao canal SBT News. “O que nós estamos dizendo é: o Pix ajuda os
negócios, não atrapalha os negócios.”
FACCÇÕES E TERRORISMO
Durigan vem afirmando que a designação das facções Primeiro
Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas anunciada
pelos EUA na última quinta-feira, 28, gera um risco para o Pix. O Tesouro
americano, segundo o ministro, poderia aplicar sanções a instituições financeiras
brasileiras de forma unilateral, com impacto no sistema. Antes da designação,
os EUA já haviam expressado preocupação com o Pix. Uma investigação aberta com
base na Seção 301 da Lei Comercial americana apontava o sistema de pagamentos
como uma possível concorrência desleal que prejudicaria empresas americanas
operando no Brasil. O ministro destacou que os processos de negociação
conduzidos pelo Brasil com os EUA - sobre a investigação da Seção 301, as
facções criminosas e as tarifas americanas em geral - são diferentes. Ele disse
que, possivelmente, haverá uma resposta específica sobre a 301 antes do fi m de
negociações de um grupo de trabalho dos dois países sobre as tarifas.
RESPOSTA A TRUMP
O ministro também firmou, mais cedo, que é preciso usar
argumentos sólidos em resposta a ameaças do governo norte-americano como na
investigação da seção 301. Para ele, esse tema teria um caráter muito mais
político do que técnico por parte dos EUA. Ele concedeu também entrevista ao
Jornal da Manhã, da CBN. “É inaceitável que a gente receba esse tipo de
pressão, de intimidação, perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que
está se preocupado com o Brasil ou com a higidez do nosso comércio. Porque quem
está, de fato, preocupados somos nós mesmos com isso”, afirmou. Segundo ele, os
argumentos dos EUA contra a 25 de Março, o PIX e desmatamento são forçados.
“Ela tem um caráter político muito mais do que técnico, a sessão 301. A gente
tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos
norte-americanos”, disse.
Fonte: Jornal do Commercio.


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