A Câmara dos Deputados aprovou,
nesta quarta-feira (11/03), a Lei 727/26, que permite a posse, porte,
comercialização e aquisição de aerossóis e extratos vegetais, como o spray
de pimenta, para fins de defesa pessoal.
A relatora do projeto, deputada Gisela Simona (União - MT), declarou para a
Rádio Câmara que "o objetivo é disponibilizar um produto que dê tempo
suficiente [às vítimas] para correr e se salvar daquele ato de agressão”.
O texto autoriza a compra do produto de autodefesa para mulheres a partir dos
16 anos, com autorização do responsável legal até os 18. Após a maioridade, a
compra pode ser feita diretamente. O produto será examinado e regulamentado
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Exército
Brasileiro.
Atualmente, a permissão depende da legislação específica do estado ou município
onde a pessoa reside. Em locais sem uma lei específica, a situação legal do
porte de spray de pimenta para defesa pessoal pode ser ambígua ou restrita a
forças de segurança.
Para adquirir o produto, a mulher
deverá apresentar documento com foto, assinar uma autodeclaração de que não foi
condenada por crime de violência e informar o endereço de onde mora. Os
estabelecimentos guardarão os dados por cinco anos.
Críticas
A principal controvérsia gira em torno da eficácia do instrumento. Defensores
da proposta argumentam que, sem o componente OC, o spray de extrato vegetal
comum pode não oferecer o tempo necessário para que a mulher escape de um
agressor.
Por outro lado, vozes críticas,
como a da deputada Érika Kokay (PT - DF), defenderam os aerossóis sem o gás OC,
usado pelas polícias do país, e expressaram preocupação com os riscos de o
instrumento ser utilizado contra a própria mulher ou causar danos irreparáveis.
“Nós achamos que o spray de pimenta que não contém a substância OC cumpre a
função de autodefesa e não coloca em risco a vida da própria mulher. Basta
conversar com quem tem experiência no Exército da utilização desta substância
[...] Eu conversava com algumas pessoas que trabalham com isso e eles disseram
que se a mulher acionar o spray contra o homem e, se porventura, a mão dela é
desviada e atinge a vítima, ela pode perder a visão caso atinja o olho”,
destacou.
Apesar das críticas, Kokay expôs
que a matéria pode ser melhor discutida no Senado e retirou os requerimentos de
retirada da pauta.
Fonte: Diário de
Pernambuco.


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