A troca de comando no Ministério
da Saúde, dada como certa nos bastidores do governo, evidencia dificuldades
enfrentadas pela ministra Nísia Trindade para cumprir promessas nestes dois
anos de gestão. Entre elas está o de aumentar a cobertura vacinal do país.
Dados da pasta mostram que, neste período, a meta de imunização foi atingida em
apenas 3 das 19 vacinas do calendário infantil.
As três vacinas que bateram a
meta foram a BCG para tuberculose, a vacina de reforço de poliomielite e a
tríplice viral que protege para sarampo, caxumba e rubéola. A pasta espera
ainda neste ano atingir a meta de 95% de crianças vacinadas para sarampo,
rubéola e rubéola congênita.
Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm),
afirma que o fato do Ministério da Saúde ter alcançado a cobertura das três
vacinas é importante, principalmente por se tratarem de imunizantes básicos do
calendário de vacinação, mas ressalta que alcançar a cobertura vacinal dos
outros imunizantes é essencial, especialmente pelo aumento de doenças como a
meningite pneumocócica e a meningite meningocócica
— De 2015 para cá a gente começou
a ver essa queda, que é o que todo mundo conhece como hesitação vacinal. A
gente entende que é desinformação. Precisamos de equipes cada vez mais
preparadas e buscar alternativas, como a vacinação escolar — disse a diretora
do SBIm.
As metas de cobertura vacinal no
Brasil foram estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado
em 1973 pelo Ministério da Saúde. O PNI define estratégias para a vacinação da
população, e são ampliadas e ajustadas com base nas recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS). As metas de cobertura vacinal no Brasil variam conforme o tipo de
imunizante.
Eder Gatti, diretor do PNI,
afirma que o ministério ainda tem metas a cumprir, mas que a pasta caminha para
alcançar esses indicadores. Por outro lado, destaca que há uma tendência de
aumento progressivo de imunização nos municípios.
— Há uma tendência de aumento
progressivo em todos os imunobiológicos, e a gente vai batendo as metas aos
poucos. O Brasil é muito grande, temos regiões que estão indo muito bem na
vacinação, outras que precisam melhorar. Temos metas a cumprir ainda, isso é
fato, mas a gente trabalha e caminha para isso — afirmou o diretor do PNI.
Estudo publicado pelo Conselho
Nacional do Ministério Público, Universidade de Santo Amaro e o Instituto de
Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas no ano passado mostra uma tendência
de recuperação da confiança das vacinas no país, após um movimento de queda
detectado desde 2015. Os resultados mostram que 90% das pessoas pesquisadas
dizem que a vacina são “muito importantes”, e 72% que declaram confiar na
vacina. Por outro lado, 27% têm medo de se vacinar e de vacinar crianças e
adolescentes e 26% não confiam nos imunizantes. Por outro lado, o estudo aponta
um empecilho de informação. Apenas 46% declarou ser “bem informado” sobre o
calendário vacinal básico.
Estratégias de vacinação
De olho na necessidade de
aumentar a cobertura vacinal, o Ministério da Saúde lançou em 2023 o Programa
Saúde na Escola, que terá R$150 milhões distribuídos entre estados e municípios
para realizar campanhas de atualização da carteira de vacinação dentro do
ambiente escolar.
Apesar do Ministério da Saúde não
determinar a obrigatoriedade da vacinação, a iniciativa é estratégica
especialmente para a vacinação de adolescentes, considerado o público mais
difícil de engajar em campanhas de saúde.
— A gente espera atividades
pedagógicas de vacinação e o ambiente escolar para promover a vacinação e até
fazer a vacinação. Uma estratégia como essa é importante porque a gente pega a
faixa etária jovem, que normalmente não frequenta unidade básica de saúde. Isso
ajuda a promover a cobertura vacinal de vacinas como o HPV e a vacina de
meningite. Se contar que com a vacinação escolar a gente também promove a vacinação
do sarampo, febre amarela — explicou Eder Gatti.
Em 2018, um fluxo intenso
migratório associado a baixas coberturas vacinais permitiu o retorno do sarampo
no país. O retorno da doença fez com que o Brasil perdesse a certificação de
"país livre de sarampo". Desde 2022 o Brasil não registra casos da
doença.
Fonte: Folha de
Pernambuco.


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