Primeira grande festa do ano, o
carnaval de 2025 também ficará marcado como a largada da corrida eleitoral para
o Governo de Pernambuco em 2026, e tanto a governadora Raquel Lyra (PSDB)
quanto o prefeito da capital, João Campos (PSB), protagonizam uma “guerra fria”
de palcos e atrações com investimentos milionários entre Recife e Olinda,
visando conquistar o eleitor além do folião.
Para o cientista político Hely
Ferreira, o uso político do carnaval beira a obviedade, visto a facilidade de
se autopromover com a festa mais popular do país.
“Naturalmente os políticos procuram tirar
dividendos eleitorais dentro de uma festividade como essa. O Carnaval,
especialmente no Recife, vem ganhando destaque a cada ano, e isso não é mérito
apenas do prefeito João Campos. Prefeitos anteriores já tiveram a preocupação
em fazer com que o Carnaval de Recife ganhe visibilidade para o Brasil”,
afirmou.
O carnaval promovido pela
Prefeitura do Recife conta com 3 mil atrações divididas em 51 polos – sendo
nove centralizados, 12 descentralizados, 15 comunitários, sete infantis, um
instrumental, cinco corredores da folia e duas passarelas para concursos de
agremiações.
Os principais polos serão o Marco
Zero, a Praça do Arsenal, o Samba da Moeda, o Parque das Graças Instrumental, o
QG do Frevo, a Praça da Independência e o Pátio de São Pedro.
No Marco Zero, coração da festa
na capital, as atrações começam na quarta-feira (26) e vão até a terça (4), com
nomes como Ney Matogrosso, Raphaela Santos, O Grande Encontro, Priscila Senna,
João Gomes, Glória Groove, Pabllo Vittar e Alcione. Devido ao feriado da Data
Magna, a programação se estende, recebendo a gravação do DVD do padre Fábio de
Melo na quinta-feira (6), e o Festival Recife Capital do Brega na sexta (7).
A escala crescente do carnaval da
capital não começou com a gestão de João Campos, mas o socialista mudou o jogo
em 2024, ano de reeleição no Recife. Além do investimento de R$ 96,2 milhões –
162% mais caro que em 2023 – o gestor “nevou” e criou um personagem que virou
até mascote da campanha eleitoral, e cativou eleitores das elites à juventude
do brega funk. Apesar das críticas, a viralização nas redes sociais o alçou a
personalidade nacional, e ele se reelegeu com mais de 70% dos votos.
A Prefeitura do Recife ainda não
divulgou quanto foi investido no evento. Os números devem ser apresentados
apenas depois do carnaval. No entanto, a gestão espera mais de 3,5 milhões de
foliões, e uma movimentação de R$ 2,7 bilhões na economia da capital.
A cerca de 150 metros de
distância, virado para o lado oposto do palco principal do prefeito, o Governo
do Estado montou uma estrutura da edição especial do Pernambuco Meu País. O
festival cultural que estampa a publicidade do carnaval da governadora foi
lançado no meio do ano passado, após divergências com a gestão do prefeito
Sivaldo Albino (PSB), aliado de João Campos, sobre a realização do Festival de
Inverno de Garanhuns (FIG).
O novo palco gerou polêmica
imediata, visto que o Marco Zero recebe as principais atrações promovidas pela
prefeitura há 24 anos. Entretanto, o Palácio do Campo das Princesas afirmou que
as programações não devem se chocar, e as atrações serão exclusivamente locais.
Na visão de Hely Ferreira, o
posicionamento dos palcos gerou uma polêmica desagradável, mas se as festas
forem coordenadas, quem ganha é o povo.
“A praça é pública, mas não foi de bom tom.
Confesso que nunca vi isso no Recife. Mas o bom é a possibilidade. Nos horários
em que não se tem a programação da prefeitura, o palco do Governo pode
preencher a lacuna com a presença dos turistas na cidade. Agora, é lamentável
se isso for utilizado como um ringue para o próximo ano. Espero que todos
tenham maturidade suficiente e entenderem que a festa é do povo”, disse.
A rivalidade da folia no Recife
acontece, na verdade, em Olinda. O Pernambuco Meu País será o polo principal do
carnaval da Marim dos Caetés, trazendo artistas locais e nacionais similares à
programação da capital, como Raphaela Santos, Priscila Senna, João Gomes, Elba
Ramalho, Lenine, Alceu Valença e Luísa Sonza.
A festa começa na quinta-feira
(27) e vai até a quarta-feira de cinzas, com outros sete polos e um total de
150 artistas. Este é o primeiro carnaval da nova prefeita Mirella Almeida
(PSD), aliada de Raquel Lyra. A expectativa é de cerca de 3 milhões de foliões
no município.
O Governo de Pernambuco está
investindo R$ 54,4 milhões no carnaval em todo o Estado, contemplando mais de
70 municípios. Segundo a Secretaria de Turismo e Lazer (Setur-PE), 90% dos
artistas contratados são pernambucanos, e 80% são de cultura popular,
orquestras, dança e música tradicionais.
O aumento de 66% do aporte em
relação a 2024, de R$ 21 milhões, comprova a mudança de visão da gestão tucana
sobre o carnaval, reconhecendo o retorno político além do econômico ao levar a
festa para o eleitorado do interior.
“Naturalmente os políticos procuram tirar
dividendos eleitorais dentro de uma festividade como essa. O cenário do
Carnaval, especialmente no Recife, vem ganhando destaque a cada ano, e isso não
é mérito apenas do prefeito João Campos, prefeitos anteriores já tiveram a
preocupação em fazer com que o Carnaval de Recife ganhe visibilidade para o
Brasil”.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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