Enviado nesta segunda-feira (31)
ao Congresso Nacional, o projeto do Orçamento de 2027 tem
estimativa de superávit primário de R$ 83,4 bilhões. O valor é cerca de R$ 10
bilhões acima da meta de resultado positivo de R$ 73,2 bilhões, 0,5% do Produto
Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país).
No entanto, ao incluir gastos
fora do arcabouço fiscal, a estimativa é de superávit de R$ 18,6 bilhões para o
próximo ano.
"Uma das nossas mensagens
centrais é que, no próximo ano, teremos um Orçamento equilibrado", disse o
ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
O resultado primário representa a
diferença entre receitas e gastos nas contas do governo sem os juros da dívida
pública.
O arcabouço fiscal em vigor desde
2023 prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para cima
ou para baixo, o que permite que o governo encerre o ano com superávit de 0,25%
do PIB, sem descumprir a meta.
Para o próximo ano, a proposta do
Orçamento prevê receitas totais líquidas de R$ 2,849 trilhões, o equivalente a
19,27% do PIB. As receitas líquidas excluem as transferências obrigatórias da
União para estados e municípios.
As despesas totais estão
estimadas em R$ 2,83 trilhões (19,14% do PIB), mas o valor usado para o cálculo
do resultado primário representa apenas o Governo Central (Tesouro Nacional,
Previdência Social e Banco Central). Ao confrontar as receitas e as despesas, o
governo estima superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões (0,13% do PIB).
No entanto, ao excluir R$ 64,8
bilhões de gastos do cumprimento de meta, a previsão para as contas federais
melhora, com a estimativa de superávit de R$ 83,4 bilhões, R$ 10,2 bilhões
acima da meta de R$ 73,2 bilhões.
Por um acordo com o Supremo
Tribunal Federal no fim de 2023, gastos com precatórios (dívidas do governo com
sentença judicial definitiva) estão fora do cálculo da meta de resultado
primário. Além disso, leis aprovadas nos últimos anos excluem alguns gastos com
saúde, educação e defesa das metas fiscais.
Gatilhos
Em entrevista coletiva para
apresentar o Orçamento de 2027, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti,
explicou que gatilhos do arcabouço fiscal que limitam o crescimento de gastos
estão fazendo efeito e segurando gastos obrigatórios, ocasionando uma folga em
relação às metas fiscais.
Instituído pelo Artigo 6 do
arcabouço fiscal, um dos gatilhos limita o crescimento dos gastos com
servidores públicos a 0,6% acima da inflação, exceto os gastos com sentenças
judiciais. O dispositivo deve gerar economia de cerca de R$ 9 bilhões no próximo
ano.
Outro gatilho, instituído pelo
artigo 14 do arcabouço fiscal, limita o crescimento de gastos legalmente
vinculados, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FNDCT), a 2,5% acima da inflação.
O artigo também estabelece que
receitas com a comercialização de petróleo, que subiram significativamente após
o início da guerra no Oriente Médio, estão excluídas do cálculo de gastos
atrelados à receita corrente líquida, como o piso da saúde.
Os limites do Artigo 14, informou
o Ministério do Planejamento e Orçamento, gerarão economia adicional de R$ 8,9
bilhões.
Outro gatilho do arcabouço fiscal
que entrará em vigor em 2027 será a proibição de criação e ampliação de
benefícios fiscais, por causa do déficit fiscal registrado em 2025. O ministro
Bruno Moretti não apresentou uma estimativa de economia por causa desse
dispositivo.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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