A Polícia Civil de Pernambuco
investiga a denúncia de estupro coletivo contra duas adolescentes de 14 anos
dentro de uma escola municipal de tempo integral, localizada no bairro da
Charnequinha, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
Segundo a advogada que acompanha o caso, os abusos teriam ocorrido em dias
diferentes e vieram à tona após uma das vítimas relatar o que havia acontecido.
De acordo com a advogada Luanny
Porto, um dos casos ocorreu na última segunda-feira (3), por volta das 12h,
durante o intervalo das aulas.
"Uma das meninas teria
entrado na sala de aula e cinco ou seis jovens que estavam no local deram uma
rasteira nela, a derrubaram no chão e começaram a praticar os atos",
afirmou a advogada. Ainda segundo ela, a adolescente também teria sido agredida
com socos na região dos seios.
A advogada relatou que a sala
estava escura porque, segundo informações repassadas à família, os professores
haviam coberto as janelas com papelão para a exibição de um filme.
Ainda de acordo com Luanny Porto,
após o episódio, a adolescente procurou a direção da escola. "A vítima procurou
a diretora da escola, que teria pedido para ela não contar a ninguém, dizendo
que tentaria resolver o caso", afirmou.
No dia seguinte, segundo a
advogada, a adolescente se recusava a voltar à escola e chorava constantemente.
Sem saber do ocorrido, a mãe insistiu para que ela comparecesse às aulas. Já na
unidade de ensino, a jovem ligou para a mãe pedindo socorro.
"Ao chegar à escola, a mãe
procurou a coordenação para saber o que havia acontecido. Lá, teria ouvido a
diretora dizer à adolescente: 'Você não devia ter contado para sua mãe. Eu
falei que iria resolver'", relatou a advogada.
Segundo Luanny Porto, a turma tem
25 estudantes, sendo apenas três meninas. Após a segunda denúncia, uma das
adolescentes contou que havia sofrido situação semelhante cerca de um mês
antes.
As mães das duas estudantes
procuraram assistência jurídica e registraram o caso na Delegacia da Mulher. As
adolescentes foram submetidas aos exames periciais e o caso também foi
encaminhado ao Conselho Tutelar. Segundo a advogada, haverá ainda comunicação
ao Ministério Público e à rede de proteção.
Ainda conforme Luanny Porto, as
adolescentes estão emocionalmente abaladas e solicitaram transferência da
escola. "A família de um dos adolescentes apontado como envolvido,
todos alunos da mesma escola, teria procurado a casa de uma das vítimas para
pedir que a queixa fosse retirada, alegando que tudo não passou de uma
brincadeira", afirmou.
A Polícia Civil informou que
instaurou inquérito para investigar o caso. Por envolver adolescentes, as
investigações tramitam sob sigilo e outras informações não serão divulgadas
para preservar as vítimas.
O que diz a Prefeitura do Cabo
A Prefeitura do Cabo de Santo
Agostinho, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informou que, desde
que tomou conhecimento da denúncia, adotou todas as medidas cabíveis para
garantir a proteção das possíveis vítimas e a apuração dos fatos.
"As estudantes estão sendo
acolhidas e recebendo o acompanhamento necessário. A Secretaria também está
disponibilizando suporte jurídico e psicológico às partes envolvidas,
respeitando o sigilo e a preservação dos direitos de todos", informou a
gestão municipal.
A prefeitura acrescentou que foi
instaurado procedimento administrativo para apurar os fatos, em consonância com
as providências adotadas pelos órgãos competentes. O caso está sendo
acompanhado em articulação com o Ministério Público, o Conselho Tutelar e as
demais autoridades responsáveis pela investigação.
Por fim, a Secretaria Municipal
de Educação afirmou que não houve omissão por parte da gestão da unidade
escolar nem da própria pasta, sustentando que todas as providências cabíveis
foram adotadas desde que a denúncia chegou ao conhecimento da administração.
Fonte: Diário de Pernambuco.


Nenhum comentário:
Postar um comentário