Michelle Bolsonaro anuncia saída do PL Mulher após crise com Flávio


 

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira 30, que vai deixar a presidência do PL Mulher, setorial do partido voltado para o público feminino. Ela diz que vai se dedicar aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e vem na esteira da crise provocada entre ela e o enteado Flávio Bolsonaro.

 “Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar - integralmente - aos cuidados para com o meu marido e minha filha", diz a nota divulgada nesta terça.

No restante do texto, Michelle enaltece o trabalho feito com lideranças femininas no PL, agradece à sua vice-presidente, Priscila Costa, e às demais dirigentes estaduais e municipais e expressa o desejo de ver mais mulheres ocupando espaços nas esferas de poder.

Valdemar, também por meio de nota divulgada nesta noite, declarou que o PL “cresceu demais", e que as divergências internas aumentaram junto da sigla. Ele afirmou que Michelle “passa por um momento difícil" e que “sente de perto as injustiças e as angústias que o maior líder da história recente deste país vem passando".

Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão desde novembro de 2025 e hoje está em prisão domiciliar humanitária temporária, sendo cuidado pela esposa.

“Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL mulher mas, nesse momento, decidiu deixar a presidência nacional do PL Mulher porque fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente. Temos que respeitar essa decisão", declarou o presidente do PL.

Michelle e Valdemar se reuniram por cerca de duas horas nesta tarde, entre às 15h e às 17h, na sede do PL, em Brasília. Depois a ex-primeira-dama teve um encontro com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (PP-DF).

O motivo do encontro está no vídeo publicado por Michelle na quarta-feira passada, em que ela dizia ter sido “humilhada, desrespeitada e maltratada" por Flávio por telefone em novembro passado, depois de ela ter criticado a aliança com Ciro Gomes no Ceará, articulada pelo grupo político dos enteados.

Por trás da decisão de Michelle está a suspeita de que Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro estão envolvidos nos ataques e notícias falsas contra ela nas redes sociais e a tentativa de evitar que sua influência política seja minada.

Isso porque a articulação no Ceará visa rifar a principal aliada de Michelle, a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que a ex-primeira-dama quer lançar candidata ao Senado pelo Estado. O grupo de Flávio tenta impedir a iniciativa.

A publicação causou um abalo na campanha do enteado, e levou o partido a se mobilizar para debelar a crise. Análises das redes sociais de Flávio, no entanto, identificaram desgaste maior para Michelle do que para o senador, pelo desgaste que causou à sua pré-candidatura.

Aliados de Flávio passaram a defender a saída de Michelle da cena pública para não causar mais estragos à campanha. Nesta tarde, o ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro e advogado do ex-presidente, Fabio Wajngarten, por exemplo, afirmou que Michelle deveria parar de causar ruídos à campanha.

Fonte: Diário de Pernambuco.

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