Pernambuco registrou, em 2024, a terceira maior taxa de
mortes violentas intencionais de jovens do Brasil. O índice foi de 84,6 óbitos
para cada 100 mil pessoas com faixa etária entre 15 e 29 anos. O resultado é mais
do que o dobro da média nacional, que foi de 42,2. A estatística faz parte da
nova edição do Atlas da Violência, divulgada ontem. No País, 301.825 jovens
foram assassinados entre 2014 e 2024, sendo a média diária de cerca de 75
vítimas. A violência letal é predominantemente masculina e armada. O estudo
indicou que essa violência tem relação, ainda, com fatores como raça/ cor,
condição socioeconômica e território (periferias urbanas e regiões de maior
vulnerabilidade). As maiores taxas estão nas regiões mais pobres do Norte e
Nordeste.
Em 2024, a liderança ficou com o Amapá. A taxa foi de 114,7
mortes violentas de jovens para cada 100 mil habitantes. Em seguida, a Bahia
com 101,8. Quando observado o recorte de 2014 a 2024, o Altas apontou que o
Amapá teve aumento de 45,2%. Já Pernambuco teve 7,5%, enquanto Bahia apresentou
6,4%. O Distrito Federal e Goiás tiveram as maiores reduções: 79,6% e 67,8%,
respectivamente. A média nacional foi de queda de 39%. “AUSÊNCIA DE PROTEÇÃO” O
estudo destacou que a violência letal dos jovens, especialmente homens, se
trata do desfecho mais brutal de “trajetórias frequentemente marcadas por
exposição precoce à violência, ausência de proteção e reprodução de
desigualdades estruturais”. E reforçou que o combate à violência exige
abordagem integrada, contínua e baseada em evidências, que articule políticas
de prevenção social, proteção e intervenção, com foco em ampliação de acesso à
saúde mental e investimento em escolas, por exemplo. Estado alega que números
estão caindo e que ampliou ações de prevenção. Apesar do resultado, a
Secretaria de Defesa Social de Pernambuco afirmou, em nota, que os números de
mortes violentas intencionais de jovens estão caindo. Segundo a pasta estadual,
no primeiro quadrimestre de 2026 foram registradas 449 mortes de jovens de 12 a
29 anos. “O número representa uma redução de 33,2% em relação ao mesmo período
de 2024, quando foram contabilizados 672 casos. Em 2022, foram registradas 665
mortes de jovens nessa mesma faixa etária”, informou. A SDS disse que a redução
da violência letal entre jovens “permanece como uma das prioridades da política
de segurança pública do Estado”. Questionada pelo JC, a Secretaria da Criança e
da Juventude de Pernambuco afirmou que tem ampliado as políticas públicas de
promoção de direitos, inclusão e fortalecimento Blitz das Juventudes promove
cidadania e diálogo sobre acesso a direitos para os jovens em Pernambuco cursos
de qualificação, oficinas e ações integradas.
Uma das iniciativas citadas foi o programa Casa das Juventudes.
Em maio, 73 municípios foram contemplados com kits de equipagem para
implantação e fortalecimento dos espaços, que contam com “Com investimentos de
aproximadamente R$ 6 milhões, a meta é alcançar os 184 municípios e o distrito
estadual de Fernando de Noronha”, disse. A gestão citou também as “Blitz das
Juventudes”, que promovem cidadania e acesso a direitos como emissão da ID
Jovem e orientações sobre meia-entrada em eventos culturais e esportivos e
gratuidade em passagens interestaduais.
Fonte: Jornal do Commercio.


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