As novas regras do programa Minha
Casa, Minha Vida, que começaram a valer na última quarta-feira (22),
aumentam os valores de faixas de renda e ampliam o alcance do programa para
imóveis de até R$ 600 mil. Segundo o advogado Amadeu Mendonça, especialista em
Negócios Imobiliários e Planejamento Patrimonial, as mudanças devem aquecer o
mercado imobiliário e aumentar o acesso das famílias a juros mais baixos.
Para Mendonça, a ampliação dos
limites do programa aproxima muitas famílias da realização do sonho da casa
própria, principalmente para quem estava fora desse alcance. “Mais famílias
passam a se enquadrar nas faixas de financiamento, com acesso a juros subsidiados
que o mercado convencional não oferece. Segundo o governo, a mudança pode
beneficiar mais de 87 mil famílias”, aponta.
O ajuste nas faixas de renda
permite que o comprador seja beneficiado em uma faixa com juros menores, mesmo
que sua renda tenha crescido desde que entrou no programa. Na prática, isso
impacta no planejamento patrimonial das famílias e pode refletir em uma
diferença no custo total do financiamento ao longo dos anos. “O aumento no
valor do imóvel financiado permite que o adquirente compre um imóvel melhor,
tanto em localização quanto de padrão do empreendimento”, destaca o
especialista.
Cuidados na aquisição do imóvel
O advogado alerta que o primeiro
cuidado do comprador deve ser com a escolha do empreendimento. As principais
orientações são verificar a reputação da incorporadora e o histórico de obras
entregues, já que problemas na execução ou atraso na entrega do imóvel podem
comprometer o financiamento e frustrar o planejamento familiar.
Além disso, antes de assumir
qualquer compromisso com a compra do imóvel, Mendonça também alerta sobre a
importância de fazer uma simulação junto à Caixa Econômica Federal. Com
isso, o comprador consegue confirmar qual o seu enquadramento no programa e o
crédito disponível de acordo com o seu perfil de renda.
“Vale também verificar se o
comprador se enquadra no Programa Morar Bem Entrada Garantida, do Governo de
Pernambuco. Quem se qualifica recebe um subsídio complementar de R$ 20 mil, que
pode reduzir o valor financiado e o custo total da aquisição”, ressalta.
Quem já faz parte do programa
também pode manter o benefício, pois a ampliação dos limites de renda também
garante que quem teve aumento de salário continue enquadrado no programa. “Com
os novos tetos, essas famílias continuam tendo acesso às condições subsidiadas
em vez de migrarem para o crédito convencional, que é significativamente mais
caro”. Segundo Amadeu Mendonça, as taxas do Minha Casa, Minha Vida variam entre
4% e 10% ao ano, dependendo da faixa. Já no mercado convencional, a taxa média
gira em torno de 11,5% ao ano.
Faixa 4 atende demanda da classe média
Entre as principais mudanças no
programa, o advogado enfatiza a inclusão da Faixa 4, destinada a famílias
com renda de até R$ 13.000 e imóveis de até R$ 600 mil. Para o especialista,
essa categoria atende a uma demanda da construção civil e da classe média.
Antes, esse segmento ficava sem acesso ao subsídio público e contava apenas com
o mercado convencional para financiar o imóvel.
A tendência é que o mercado
receba o efeito das novas regras em cadeia. Na concepção de Mendonça, com mais
famílias enquadradas no programa e tetos de financiamento mais altos, cresce
também a demanda por imóveis nessa faixa. “Isso estimula novos lançamentos por
parte das incorporadoras, gera contratos para construtoras e aquece o mercado
de trabalho na construção civil. Além da questão social de combate ao déficit
habitacional, há também um estímulo econômico concreto para o setor”, aponta.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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