Uma clínica do Recife é
atualmente a única unidade de saúde do Brasil a participar de um estudo
internacional que busca avançar no desenvolvimento de uma vacina
contra a sífilis. A Clínica do Homem integra o estudo, ainda em fase
inicial, que reúne instituições de cinco países e tem como foco a análise
genética da bactéria causadora da infecção.
Coordenado pela Universidade da
Carolina do Norte, nos Estados Unidos, o estudo também é realizado no Peru,
Índia, Libéria e República Democrática do Congo. Na capital pernambucana, a
iniciativa conta com a parceria do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC),
da Universidade de Pernambuco (UPE), e da organização responsável pela clínica.
A sífilis é uma infecção
sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum.
O estudo em andamento não
envolve, neste momento, a criação direta de uma vacina. Trata-se de uma etapa
pré-clínica que busca compreender as características genéticas da bactéria em
diferentes regiões do mundo. A partir dessas informações, os pesquisadores
pretendem identificar elementos que possam, no futuro, ser utilizados no desenvolvimento
de um imunizante.
“Como a sífilis é causada por uma
bactéria, desenvolver uma vacina é mais complexo do que para vírus. Esse é um
estudo genômico, que analisa a epidemiologia genômica, ou seja, as
características genéticas da bactéria em diferentes partes do mundo”, explica
François Figueiroa, diretor médico da Clínica do Homem.
A participação brasileira é
considerada estratégica nesse processo e a coleta de amostras no Recife permite
incluir no estudo as características das bactérias que circulam no país, o que
pode ser determinante para garantir a eficácia de uma eventual vacina em
diferentes contextos.
A escolha da clínica como ponto
de coleta está relacionada ao volume de atendimentos. A unidade registra um
número elevado de diagnósticos de sífilis, especialmente entre homens, público
que, historicamente, apresenta maior dificuldade em buscar serviços de saúde
para tratar infecções sexualmente transmissíveis.
Entre 2022 e 2025, mais de 4
mil casos foram diagnosticados na clínica. Apenas em 2025, foram mais de
1,2 mil registros.
Podem participar da pesquisa
homens e pessoas trans com mais de 18 anos que apresentem lesões nos órgãos
genitais, ânus ou boca, sintomas comuns da fase inicial da doença. Os
voluntários passam por consulta, recebem tratamento e têm amostras coletadas
para análise. A participação é voluntária, mediante consentimento, e não altera
o atendimento oferecido, que segue normalmente mesmo para quem opta por não
integrar o estudo.
A coleta envolve material das
lesões e exames de sangue, em procedimentos considerados simples e sem riscos
adicionais aos pacientes.
Sífilis
Dados da Organização Mundial da
Saúde estimam cerca de 8 milhões de casos em 2022, entre pessoas de 15 a 49
anos. No Brasil, o Ministério da Saúde registra aproximadamente 250 mil casos
por ano, com maior concentração entre jovens.
Além dos impactos individuais,
como a necessidade de tratamento e acompanhamento médico, a doença também
apresenta riscos mais graves em gestantes, podendo ser transmitida ao bebê
durante a gravidez, resultando na chamada sífilis congênita.
“É uma das doenças mais antigas
que se conhece. Tem diagnóstico, tem cura, é tratável. No entanto, a
prevalência é muito grande no mundo todo e, nos últimos anos, o número de casos
tem aumentado”, destaca François Figueiroa.
A sífilis é transmitida
principalmente por meio de relações sexuais sem proteção ou da mãe para o bebê
durante a gestação. A prevenção inclui o uso de preservativos, e o tratamento é
disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Fonte: Diário de Pernambuco.


Nenhum comentário:
Postar um comentário