A articulação em torno da
aprovação do projeto de anistia para os envolvidos na trama golpista e nos
ataques do 8 de janeiro é vista pelo cientista político e advogado Sandro Prado
como uma jogada de risco com profundas implicações para as eleições de 2026.
Para o especialista, embora o
projeto tenha uma "probabilidade moderada de passar pela Câmara dos
Deputados", tem "probabilidade baixa de ser aprovada pelo
Senado" e "muito pequena de ser sancionada". Mesmo se
ultrapassar as barreiras legislativas, ele afirma que o texto enfrenta uma
"forte probabilidade de litígio judicial e de uma derrota via
jurídica".
Ainda de acordo com Prado, a
aprovação de uma anistia para os envolvidos na tentativa de golpe poderia
produzir "efeitos políticos profundos e ambivalentes" para 2026. “De
um lado, (a aprovação) pode fortalecer eleitoralmente o campo bolsonarista -
extrema direita - pela possibilidade de uma união da base e da reivindicação de
vitimização, estratégia muito usada pela ala extremista e que foi determinante
para a eleição de Bolsonaro”, pontua.
Por outro lado, continua o
cientista político, o projeto pode causar "repulsa em setores moderados e
independentes", o que, por consequência, consolidaria a candidatura de
Lula e reforçaria a polarização política. “A iniciativa também pode atrair o
risco de isolamento internacional e impacto sobre a confiança de agentes
econômicos", explica.
“Dessa forma a anistia aumenta a
volatilidade e radicalização do processo eleitoral de 2026, beneficiando a
extrema direita radical”, complementa.
Participação de Tarcísio de
Freitas
A participação do governador de
São Paulo e presidenciável, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na articulação
pela anistia é vista por Prado como uma "jogada política de alto risco e
friamente calculada". “É uma estratégia política para fidelizar o
eleitorado bolsonarista e para sinalizar lealdade, porém é muito perigosa pois
coloca em xeque a construção de sua imagem como opção alternativa moderada para
ser o candidato à presidência em 2026”, afirma.
Ainda de acordo com Prado, “ao
articular em favor da anistia, Tarcísio procura angariar os votos do PL e das
alas que exigem proteção a Bolsonaro, o que é um movimento para assegurar apoio
a sua pré-candidatura e neutralizar rivais no campo da direita”.
No entanto, o cientista político
avalia que “a associação de Tarcísio a uma manobra que a opinião pública pode
entender de forma ampla como supressora de responsabilização dos golpistas
contra a ordem democrática, pode causar um desgaste irreversível junto a
eleitores que valorizam a estabilidade das instituições".
“Politicamente, Tarcísio pode
ganhar no curto prazo, mas arrisca sua janela estratégica de atrair o
eleitorado do ‘centro’, algo fundamental em uma eleição para presidência da
República. Dessa forma, ele teria ganho tático para aniquilar concorrentes a
vaga de presidente dentro do campo da direita, porém perderia em estratégia
eleitoral para 2026 ao desestimular o voto dos eleitores mais ao centro”, conclui.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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