Nas últimas décadas, a obesidade
deixou de ser vista apenas como um problema estético para se consolidar como
uma doença crônica grave, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde
(OMS). De acordo com dados da revista científica The Lancet (2023), pela
primeira vez na história, o número de pessoas com obesidade e sobrepeso
ultrapassou o de pessoas subnutridas no mundo. Enquanto a fome ainda mata
milhões todos os anos, a obesidade e suas complicações já são responsáveis por
mais mortes que a desnutrição infantil e adulta combinadas. Segundo a OMS,
mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade atualmente, incluindo 650 milhões
de adultos, 340 milhões de adolescentes e 39 milhões de
crianças. No Brasil, o cenário também preocupa: uma pesquisa do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 57% da
população adulta está acima do peso, e um em cada quatro brasileiros já é
obeso.
As comorbidades - o excesso
de gordura corporal está diretamente ligado a uma série de comorbidades. Entre
as mais graves estão: diabetes tipo 2, favorecida pela resistência à
insulina; hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, que aumentam
significativamente o risco de infarto e AVC; apneia do sono, que
compromete a respiração e reduz a qualidade de vida; doenças hepáticas,
como a esteatose hepática não alcoólica, cada vez mais frequente; certos tipos
de câncer, como mama, cólon e fígado, já relacionados ao excesso de peso em
estudos publicados no New England Journal of Medicine. A Federação Mundial de
Obesidade alerta que, até 2035, mais da metade da população mundial poderá
estar com sobrepeso ou obesa caso não haja mudanças nos hábitos coletivos e
individuais.
Doença crônica - é
importante reforçar: a obesidade não é apenas falta de disciplina ou escolha
pessoal. Ela é classificada como doença crônica multifatorial, resultante da
interação entre fatores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais.
Por isso, o tratamento não deve ser pautado em dietas milagrosas ou soluções
rápidas. O acompanhamento médico é fundamental. Em muitos casos, além das
mudanças de estilo de vida, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos
modernos, aprovados por agências regulatórias internacionais, que auxiliam na
regulação do apetite, no controle da glicemia e na perda de peso de forma
segura. Em situações específicas e graves, até mesmo a cirurgia bariátrica pode
ser indicada.
Como prevenir - apesar dos
avanços na medicina, a prevenção segue sendo o caminho mais eficaz contra a
obesidade. Algumas medidas comprovadas incluem:
Alimentação equilibrada,
priorizando alimentos naturais e reduzindo o consumo de ultraprocessados.
Prática regular de atividade
física, ao menos 150 minutos de exercícios moderados por semana, conforme
orientação da OMS.
Controle do estresse e sono de
qualidade, já que fatores emocionais e privação de descanso influenciam
diretamente no ganho de peso.
Atenção desde a infância, pois
crianças com excesso de peso têm maior risco de se tornarem adultos obesos.
Alerta - O relatório Global
Burden of Disease, publicado na revista The Lancet, mostra que a obesidade
está entre os principais fatores de risco para mortalidade precoce em todo o
mundo, superando a desnutrição como causa de morte. A mensagem é clara: o
combate à obesidade deve ser tratado como prioridade de saúde pública, com
investimento em políticas de prevenção, conscientização da população e acesso a
tratamentos adequados. É preciso compreender que cuidar do peso é cuidar da
vida.
FONTE: Folha de Pernambco.


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