Neste domingo (1º), o prefeito do
Recife João Campos (PSB) tomou posse oficialmente como o novo presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A cerimônia aconteceu durante o
XVI Congresso Nacional do Partido, em Brasília, e reuniu ministros, senadores,
deputados federais, presidentes de partidos e outras lideranças nacionais, além
de delegados eleitos pela militância da legenda em todos os estados
brasileiros.
Em seu discurso, João Campos
mencionou a parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o
vice-presidente Geraldo Alckmin, que se tornou também vice-presidente do PSB.
“Não existe no nosso mundo
democrático nenhuma liderança viva, autêntica, exercendo um mandato, unindo uma
nação e fazendo pelo seu povo, do tamanho do presidente Lula”, declarou o
prefeito do Recife.
Campos destacou, ainda, o pleito
de 2026 como uma eleição “importante, estratégica”, ao lado de Lula, e
assinalando: “Vamos mostrar que o nosso partido está pronto para acolher uma
grande frente política e vamos consolidar uma vitória democrática nos estados
brasileiros e nosso país em 2026, ao lado do presidente Lula”.
O novo dirigente também falou
sobre a memória do pai, Eduardo Campos, e do avô, Miguel Arraes, que já foram
presidentes nacionais do PSB.
Veja o discurso de João
Campos na íntegra:
“Bom dia, meu povo! Bom dia, PSB!
Bom dia a todos e a todas aqui presentes.
Saudar o presidente da República,
nosso companheiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Saudar nosso sempre presidente,
Carlos Siqueira.
Saudar aqui todos os companheiros
aqui presentes, nosso vice-presidente Geraldo Alckmin.
Já adianto, nosso querido
Alckmin, que, assim como é vice-presidente da República, há uma unanimidade no
nosso partido para fazer Geraldo Alckmin vice-presidente nacional do PSB.
Agradecer a Tabata, minha
companheira, por tudo. Obrigado pela força.
Minha família aqui presente,
Duda, Thomaz, Pedro, Zé. Miguel e minha mãe estão acompanhando a distância.
Agradecer também, de forma
especial, a presença do meu querido amigo Hugo Motta, presidente da Câmara dos
Deputados. Eu tenho certeza, Hugo: a nossa geração vai ter muito trabalho pela
frente nessa estrada. As gerações que nos trouxeram até aqui fizeram muito pelo
Brasil, e a maior de todas as lutas foi a luta para construir uma democracia,
uma democracia que é jovem, que precisa de todos nós com muito empenho. A
inclusão social, a justiça, a capacidade de acolher quem mais precisa. O Estado
brasileiro avançou muito, e a gente deve isso às gerações que nos trouxeram até
aqui. E a gente tem que ter muito compromisso para frente.
Dizer a vocês que hoje é um dia
de muita alegria. Um dia em que é difícil falar com a razão, mas o que nós
vamos fazer é falar com o coração, com emoção, com a verdade.
Saudar aqui também todas as
mulheres em nome de Janja. Agradecer sua presença. Agradecer a dona Lu.
Agradecer a todo o nosso time que está aqui.
A gente sabe que essa tarefa vem
carregada de emoção. É impossível estar aqui no dia de hoje e não lembrar que,
há exatos 20 anos – eu tinha de 11 para 12 anos de idade –, quando perdi meu
bisavô, Miguel Arraes, e vi meu pai – ainda não compreendia com clareza o que
eram aqueles movimentos –, mas vi meu pai cuidando de construir um projeto para
o estado de Pernambuco que foi vitorioso no ano seguinte, e o projeto vitorioso
do PSB quando ele assumiu a presidência nacional do partido. Vinte anos se
passaram, a vida para todo mundo tem história, tem transformação, e a gente
está aqui no dia de hoje. Então, é impossível dissociar isso dessa história que
me traz aqui.
Ao mesmo tempo, com a tarefa de
poder construir uma renovação. E renovar não é fazer tudo novo. A primeira
tarefa de renovar é reconhecer e valorizar nossa história, a nossa tradição,
porque a gente acredita na essência dos nossos valores. Mas isso também não nos
impede de poder construir de formas novas. Muitas vezes, mudando o jeito, o
tom, mas chegando aonde a gente nunca deixou de chegar, que é na essência da
base do povo brasileiro.
É assim que a gente vai fazer:
com igualdade, com inclusão, com justiça social, entendendo, como eu disse aqui
na abertura – e eu queria reforçar isso, para não ser cansativo, mas reforçar:
a gente vive diante de um Brasil novo, de um tempo diferente, de um tempo em
que a gente tem maiorias que não existiam antigamente, seja no campo do
empreendedorismo, seja na mistura das religiões e profissões de fé e na
fragmentação do cristianismo. Isso tem implicado na vida política. Isso cobrará
dos partidos a capacidade de escutar, de sentir e de reproduzir isso nos
espaços de poder, nos mandatos e na vida partidária. Isso cobrará muito.
E eu tenho certeza que o Partido
Socialista Brasileira tem uma tarefa nos seus quase 80 anos de história. Um
partido que resistiu a um tempo de ditadura, que sobreviveu de forma
clandestina, que foi refundado por grandes brasileiros, a exemplo de Antônio
Houaiss, a exemplo de Miguel Arraes, a exemplo de João Mangabeira, que
conseguiu construir e se reinventar. Esse será o mesmo partido que sairá grande
nesse tempo novo do Brasil, que vai manter sua essência programática, mas é um
partido que vai crescer também nas urnas, na bancada, nos parlamentos, nas
assembleias, nas prefeituras, nas câmaras de vereadores, fazendo o dever de
casa que a gente sabe fazer.
O PSB não brinca em serviço. É
assim, governador João Azevêdo, como a gente vê na Paraíba. O maior crescimento
do PIB entre os estados brasileiros, com inclusão, participação, com
interiorização do desenvolvimento. É assim, Casagrande, como a gente vê no
Espírito Santo, um estado que é referência na educação brasileira, na
segurança, que tem um fundo soberano. Foi assim que a gente viu o presidente
Alckmin fazer em São Paulo, o governador Márcio. Foi assim que a gente viu
Pernambuco construir políticas públicas que foram exportadas para o Brasil e o
mundo. É assim que a gente tem tentado fazer no Recife. Então, nós vamos fazer
o dever de casa.
E aqui, minha gente, eu queria
dizer a vocês que essa é a hora de poder ir mais longe. É a hora de fazer esse
dever de casa compartilhado. Não tem como vencer esse jogo se não for um jogo
coletivo, um jogo de unidade, um jogo de parceria.
A função da presidência, da
liderança, muitas vezes, parece uma tarefa solitária, sobretudo em momentos
difíceis, mas com um time deste tamanho, um partido vivo nos 27 estados
brasileiros, eu vou estar pronto para ajudar todos vocês, mas eu queria aqui
pedir a ajuda de cada um e cada uma. Quero ajuda para tomar conta do PSB. Eu
quero ter a ajuda e compreensão para a gente marchar juntos. E que a gente
faça, presidente Siqueira, como você fez.
Eu quero aqui fazer uma
homenagem, porque todo mundo aqui está irmanado em um sentimento: se tinha algo
que nos dava tranquilidade era saber a lealdade que o presidente Siqueira tem
ao PSB e ao nosso país. Um líder partidário precisa ter essa lealdade ao seu
país e ao seu partido. Ter a capacidade de tomar decisões que representem o
sentimento do seu colegiado.
Se, muitas vezes, algo duro tem
que ser decidido, nós temos que fazer com a convicção de que a gente está
tomando aquela decisão para representar aqueles que não tiveram fala, voz, vez
ou espaço naquele momento.
Então, presidente Siqueira, conto
com você. Não ache que essa saída da presidência é um afastamento. Não há
perigo de eu deixar esse homem se afastar de nós. Ele vai estar com a gente,
cuidando no dia a dia da fundação do nosso partido. Dizer que estamos juntos,
presidente.
E agradecer aqui ao presidente
Lula. A gente sabe, presidente, que, para mim, é uma honra sem tamanho poder
participar desse momento histórico ao lado do senhor. Não existe no nosso mundo
democrático nenhuma liderança viva, autêntica, exercendo um mandato, unindo uma
nação e fazendo pelo seu povo, do tamanho do presidente Lula. E ele honrar com
sua presença, no dia de hoje, o nosso congresso é algo que tem que ser registrado.
O nosso compromisso democrático
vai além de eleição e eleição. O PSB foi decisivo para a construção da vitória
em 2022, com a aliança de Lula e Alckmin, de Alckmin e de Lula. Desde a
construção da filiação, do bem que foi para a gente lhe receber e lhe acolher
em nosso partido, a importância que isso teve para o nosso país, e eu tenho
certeza de que, como disse o presidente Siqueira no dia da inauguração do
congresso, que a gente sabe de toda essa construção que é feita na política, no
afunilamento do tempo eleitoral, mas o PSB vai estar na trincheira – como bem
disse o presidente Alckmin –, vai estar na trincheira certa da história.
Estaremos juntos, apoiando e
construindo uma consolidação democrática ao lado do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, porque nós entendemos o que é mais importante para todos nós: não
existe um partido sem democracia, não existe justiça social sem democracia, e é
papel de quem compreende isso ajudar um governo a dar certo e ajudar a vencer
uma eleição importante, estratégica, como será a de 2026.
Nós não vamos titubear. Nós não
vamos brincar com nada disso, em nenhum estado brasileiro, nas decisões
majoritárias, nas consolidações de chapas vitoriosas para a Câmara dos
Deputados. Eu disse aqui ao presidente Hugo: se prepare que você vai receber
uma bancada dobrada de tamanho e com qualidade para estar no Congresso
Nacional. Nós vamos fazer isso juntos. Vamos fazer o dever de casa.
Na vida, as coisas se
apresentaram muito cedo para mim. Muitas eu não tive o direito nem de escolher.
Mas eu sempre enfrentei com muita alegria. Com alegria e com entusiasmo. Com
alegria, mas com a humildade de poder ouvir e construir conjuntamente. Então,
quero terminar aqui dizendo isso: que nós vamos trabalhar muito. E eu estou
ciente do tamanho da tarefa, mas eu também tenho a convicção de que esse time
todinho junto aqui vai dar conta do desafio de cuidar do PSB. Esse time vai
cuidar do PSB.
E aqui não tem como terminar
minhas palavras sem lembrar a maior referência da minha vida, que é o meu pai,
Eduardo Campos, que me ensinou a ser gente, que me ensinou nos momentos mais
difíceis da minha vida o que a gente deveria fazer. Ele dizia, Tabata: meu
filho, sempre que puder ajudar alguém na vida, ajude. Não queira nada em troca.
Ajude. Sempre que puder fazer o bem, faça, que um dia Deus vai lembrar disso. A
gente precisa fazer isso, fazer o bem, fazer o que ensinou para nós que somos
cristãos, como eu sou, ou de outras religiões, como tantos aqui também são: ter
a capacidade de olhar para o próximo e querer para o outro algo melhor do que
para você mesmo.
É isso que está faltando muitas
vezes na política. Foi isso que a gente viu Miguel Arraes dedicar a vida
fazendo. Abriu mão de sua conveniência pessoal, de estar com seus nove, dez
filhos, para passar 14 anos exilado, para entregar a sua liberdade em favor do
seu povo. É isso a gente precisa fazer na política. Fazer o que foi feito na
década de 60 para defender a democracia é um ato, no dia de hoje, de renovação.
Por isso que o tempo muda, mas a forma de fazer e aonde a gente vai chegar vai
ser preservado.
Então, minha gente, lembrando da
história e da memória de Eduardo, do meu pai, eu queria dizer a vocês que eu
quero dedicar a minha vida ao partido, que eu estou pronto para gastar o meu
tempo, a minha energia e para fazer isso tudo com vocês. Eu não vou brincar em
serviço. Não vou brincar um minuto em serviço. Vou me dedicar. Vou cobrar. Vou
saber ser duro, como meu pai dizia, duro que só uma beira de sino, mas também
vou saber ser generoso como o coração de uma mãe para atender o que é
importante para o nosso partido.
Vamos juntos! Que essa história
do nosso partido siga viva.
Eu conto com vocês. Esse time
está pronto para fazer um grande trabalho. Vamos botar o PSB para falar para
fora dos muros. Vamos derrubar os muros. Vamos construir pontes. Vamos
aproximar quem está desgostoso com a política para perto da gente. Vamos trazer
quem pensa diferente. Vamos trazer quem quer fazer o bem, mas não sabe como.
Vamos mostrar que o nosso partido está pronto para acolher uma grande frente
política e vamos consolidar uma vitória democrática nos estados brasileiros e
nosso país em 2026, ao lado do presidente Lula.
Fonte: Jornal do Commercio.


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