A Índia lançou ataques contra
três zonas do Paquistão, avançou a emissora estatal paquistanesa, enquanto o
governo indiano confirmou ter atingido com mísseis locais terroristas no país
vizinho. Os mísseis atingiram locais na Caxemira administrada pelo Paquistão e
na província de Punjab, no leste do país.
"Retaliaremos no momento que
escolhermos", informou o Exército do Paquistão após os ataques indianos.
Segundo o ministro da Defesa paquistanês, três pessoas, incluindo uma criança,
morreram hoje na sequência dos ataques indianos contra o Paquistão, denunciando
uma ofensiva contra "alvos civis", enquanto Nova Deli afirma ter
atacado apenas localizações terroristas.
O primeiro-ministro da Índia,
Narendra Modi também afirmou hoje que cortará a água dos rios que correm do seu
território para o Paquistão, em retaliação pelo atentado que aconteceu na
Caxemira indiana. "A água pertencente à Índia costumava fluir para o
exterior, mas agora será cortada para servir os interesses da Índia e será
utilizada para o país", anunciou Modi, que já havia anteriormente ameaçado
fazer o corte.
A Índia suspendeu a sua
participação num tratado de compartilhamento de água com o Paquistão, assinado
em 1960, em retaliação pelo ataque de milícias que matou 26 turistas a tiro, no
dia 22 de abril, na cidade turística de Pahalgam, na Caxemira indiana.. A
polícia indiana divulgou o retrato de três suspeitos, dois dos quais
paquistaneses. Ambos são acusados de pertencerem a um grupo próximo do
movimento fundamentalista islâmica Lashkar-e-Taiba, com base no Paquistão, e
são suspeitos de atentados em Bombaim, que ocorreram em 2008.
Apesar de o atentado não ter sido
reivindicado, o governo de Nova Deli acusa desde então o Paquistão da autoria,
que já negou categoricamente.
Enquanto isso, o Presidente dos
EUA, Donald Trump, declarou que espera um fim muito rápido dos ataques entre Índia
e Paquistão, duas potências nucleares do sudeste asiático. "Eles lutam há
muitas décadas... séculos, na verdade, se pensarmos bem. Só espero que isto
pare muito rapidamente", disse ao ser notificado agora a pouco sobre a
agressão.
A crise entre os dois países
escalou desde este atentado, o mais mortal contra civis das últimas décadas na
zona indiana nessa região de maioria muçulmana.
Há mais de uma semana também são
registrados fogo cruzado de artilharia ligeira entre soldados indianos e
paquistaneses durante a noite, ao longo da fronteira que separa os dois países.
Nesta terça-feira (6) o governo
de Islamabad denunciou que a Índia alterou o caudal do rio Chenab, um dos três
rios sob o controle do Paquistão, segundo o tratado firmado em 1960.
"Notamos alterações no
Chenab que nada têm de natural. O caudal do rio, que é normal, foi
consideravelmente reduzido de um dia para o outro", declarou o ministro da
Irrigação do Punjab, Kazim Pirzada.
Após a decisão indiana de
suspender unilateralmente o tratado, o Paquistão advertiu de que qualquer
tentativa de perturbar o fluxo destes rios seria considerada um ato de guerra.
Situada na fronteira com a Índia,
a província do Punjab, que abriga quase metade dos 240 milhões de habitantes do
Paquistão, é o coração agrícola do país. O Tratado do Indo concede a Nova Deli
o direito de usar os rios partilhados para as suas barragens ou culturas, mas a
proíbe de desviar cursos de água ou alterar o volume de água a jusante.
A crise diplomática entre as duas
partes atingiu o pior patamar em muitos anos, com o risco de força militar. O
conflito na Caxemira é uma disputa territorial entre a Índia, o Paquistão e a
China, com constante tensão social e política, que envolve questões e
diferenças étnicas e a divisão de fronteiras nacionais.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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