Gilson Machado integrava ala radical que pedia golpe de Estado a Bolsonaro, segundo Mauro Cid


 

O ex-ministro de Turismo, Gilson Machado, foi um dos citados em depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, divulgados nesta quarta-feira (19), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir pela derrubada do sigilo da delação premiada do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. De acordo com Cid, Gilson era integrante de uma “ala radical” que pressionava o ex-presidente por um golpe de Estado.

De acordo com Cid, em depoimento à Polícia Federal realizado em agosto de 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro era cercado por diferentes grupos, que se dividiam entre a procura por uma fraude nas urnas eletrônicas e o pedido por um golpe de Estado.

Além de Gilson, também integravam a “ala mais radical” o ex-ministro Onyx Lorenzoni, os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além do general da reserva Mário Fernandes e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.

Dos citados, apenas o general Mário Fernandes figura nas listas de indiciados pela Polícia Federal e dos denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Fernandes está preso desde novembro de 2024, por envolvimento no plano para matar o presidente Lula (PT) e outras autoridades.

Os demais mencionados por Cid não figuram na lista de denunciados pela PGR, divulgada na noite da última terça-feira (18).

ALA RADICAL PEDIA GOLPE DE ESTADO A BOLSONARO, SEGUNDO CID

Segundo Cid, em delação, os citados na ala radical “conversavam constantemente” com Bolsonaro, “instigando-o para dar um golpe de Estado”, e afirmavam que o ex-presidente tinha apoio do povo e dos CACs (colecionadores, atiradores e caçadores).

“Tais pessoas conversavam constantemente com o ex-presidente, instigando-o para dar um golpe de Estado; QUE afirmavam que o ex-Presidente tinha o apoio do povo e dos CACs para dar o golpe”, diz trecho da delação de Mauro Cid.

Em trecho anterior da delação, Cid aponta que os citados não eram um grupo organizado, mas que, individualmente, se encontravam com o ex-presidente, “na intenção de exigir uma ação mais contundente” de Bolsonaro.

No entanto, Cid ressalta que não sabe se os citados levavam documentos para Bolsonaro e que não presenciou todos os encontros entre a “ala radical” e o ex-presidente.

 “LADO DO BEM”

Após ser citado por Cid em delação, Gilson Machado disse que está “do lado do bem”. O ex-ministro Gilson Machado se manifestou, após ser citado em delação de Mauro Cid. O depoimento do ex-ajudante de ordens foi realizado em agosto de 2023, mas só foi divulgado nesta quarta-feira, após decisão do ministro Alexandre de Moraes derrubar o sigilo do documento.

Compartilhando matéria deste JC sobre o tema, Gilson afirmou que “é currículo” estar “do lado do bem” com Bolsonaro.

“Estar do lado do bem com Bolsonaro não é demérito, é currículo”, disse em grupo com apoiadores.

Segundo Cid, em delação, os citados na ala radical “conversavam constantemente” com Bolsonaro, “instigando-o para dar um golpe de Estado”, e afirmavam que o ex-presidente tinha apoio do povo e dos CACs (colecionadores, atiradores e caçadores).

QUESTIONAMENTOS À DENÚNCIA

Mais cedo, Gilson Machado se pronunciou sobre a denúncia da Procuradoria- Geral da República (PGR). O ex-ministro questionou o documento, assinado por Paulo Gonet. “Como é que um cara quer fazer um golpe e pacifica a transição? Inclusive com o general Arruda assumindo o comando militar? Minha gente, isso tá ficando feio para o Brasil lá fora. Cadê a minuta do golpe? Cadê os considerandos do golpe?”, questionou. “Eu digo uma coisa, se tiver fundamentação (a denúncia), tem que botar pra torar. Agora, se for inventar uma narrativa, isso só cola pra quem é vassalo. Isso não cola pro mundo, isso não cola pra imprensa que pensa”, complementou. Ainda durante a tarde desta quarta-feira, o ex-ministro esteve no escritório do ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, o vereador do Recife Gilson Machado Filho (PL). Também participaram do encontro os deputados estaduais Joel da Harpa, Renato Antunes, Abimael Santos e Coronel Alberto Feitosa, além do deputado federal Pastor Eurico.

Fonte: Jornal do Commercio.

Nenhum comentário:

Videos reportagem