O controle da obesidade e a
mudança do estilo de vida são medidas fundamentais para reduzir os riscos
cardiovasculares e melhorar a saúde a longo prazo.
A cada 72 segundos, uma pessoa
morre por doença cardiovascular no Brasil. Até 16 de outubro de 2026, o país
acumulava 318.945 óbitos, segundo o Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC). Mais do que números, esses dados nos convidam a refletir
sobre como estamos cuidando da saúde e, principalmente, sobre o que podemos
fazer para mudar essa realidade. Na prática clínica, considero essencial
ampliar a compreensão sobre a prevenção cardiovascular. Não basta tratar a
hipertensão depois que ela aparece, controlar o diabetes quando já está
instalado ou intervir após um infarto. Precisamos olhar para os fatores que
contribuem para o desenvolvimento dessas condições, entre eles a obesidade, o
sedentarismo e os hábitos alimentares inadequados. A obesidade não é apenas uma
questão estética ou um número na balança. É uma condição crônica que pode
provocar alterações metabólicas importantes, especialmente quando existe
acúmulo de gordura abdominal. Esse processo está associado à resistência à
insulina, ao aumento da pressão arterial e a alterações nos níveis de
colesterol e triglicerídeos, formando um conjunto de fatores que eleva o risco
cardiovascular.
Por isso, o controle do peso deve ser
entendido como cuidado preventivo. Não se trata de perseguir um padrão
corporal, mas de melhorar a saúde metabólica, preservar a capacidade funcional
e reduzir a probabilidade de complicações. Essa abordagem exige avaliação
individualizada, considerando histórico familiar, composição corporal, exames
laboratoriais e condições clínicas. O estilo de vida tem papel decisivo nesse
processo. Uma alimentação equilibrada, baseada predominantemente em alimentos
in natura ou minimamente processados, ajuda a controlar o peso e a melhorar
indicadores metabólicos. Reduzir o consumo frequente de bebidas açucaradas, ultra
processados e alimentos ricos em sódio também é uma medida importante.
A atividade física precisa fazer
parte da rotina. Caminhar, pedalar, nadar e realizar exercícios de força,
respeitando as condições de cada pessoa, contribuem para o controle da pressão
arterial, da glicemia e da composição corporal. Sono adequado, abandono do
tabagismo e acompanhamento regular da saúde completam essa estratégia. É
importante compreender que essas mudanças não precisam acontecer de uma só vez.
Metas realistas, construídas de acordo com a rotina e as necessidades
individuais, tendem a ser mais sustentáveis. Quando necessário, o tratamento da
obesidade deve contar com acompanhamento profissional e pode incluir diferentes
estratégias terapêuticas, definidas conforme a avaliação clínica.
As projeções da SBC apontam que,
se as tendências atuais forem mantidas, as mortes por doenças cardiovasculares
poderão chegar a 462.573 em 2030. Esse cenário reforça a urgência de investir
em prevenção, mas também mostra que o futuro não está determinado. Controlar os
fatores de risco, ampliar o acesso ao cuidado e promover hábitos saudáveis são
caminhos para mudar essa trajetória.
Cuidar do coração começa nas escolhas cotidianas, mas não deve ser uma responsabilidade exclusivamente individual. Informação de qualidade, acesso aos serviços de saúde e acompanhamento adequado são fundamentais para que a prevenção seja possível. Controlar o peso, nesse contexto, não é uma promessa de resultado rápido, mas parte de um compromisso contínuo com a saúde e a qualidade de vida.
Fonte: Folha de Pernambuco



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