Os presidenciáveis do espectro da
direita reagiram imeadiatamente à divulgação das supostas
relações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — que constam de um relatório da
Polícia Federal (PF), cujo sigilo foi retirado pelo também ministro do STF
André Mendonça. Augusto Cury (Avante) lembrou que a "a lei não
pergunta o cargo de ninguém". Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a renúncia
de Moraes, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) pediu que o magistrado seja afastado
imediatamente da Corte. Romeu Zema (Novo) voltou a defender o impeachment de
Moraes e Renan Santos (Missão) anunciou que pretende apresentar um pedido para
que o ministro deixe o STF. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
busca a reeleição, foi orientado por auxiliares a não comentar o episódio.
Por meio de nota, Cury afirmou
que "quem tem mais poder deve mais explicação". Segundo o candidato,
"do presidente da República ao trabalhador mais humilde, onde tem indício
tem que ter investigação, e a lei não pergunta o cargo de ninguém. No meu
governo não haverá blindagem para ninguém, começando por mim. Quem paga a conta
da desconfiança é o cidadão comum, que é o pagador dos impostos, ele quer
explicações".
Já Flávio afirmou que ficou
"impactado" com os detalhes do contrato fechado entre Vorcaro e o
escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci. Segundo dados
atribuídos à investigação, metadados de uma versão do documento apontam um
usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" como
responsável por alterações no arquivo que celebrava o acordo. O escritório de
Viviane confirmou que o ministro analisou a minuta, mas afirmou que ele foi
consultado para verificar eventual impedimento relacionado à contratação e que
não havia impedimento para a prestação dos serviços.
"Alexandre de Moraes tinha
que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de continuar
como ministro", cobrou Flávio. O senador lembrou, ainda, que o
procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, são
mencionados nas conversas.
Caiado afirmou que Moraes
"não tem a menor condição de continuar" no STF e defendeu que a Corte
delibere sobre o afastamento. "Acredito que o colegiado deverá se reunir,
e o Supremo dar uma satisfação à população brasileira de que ele estará
afastado daquela Corte. É isso que o Brasil espera", exigiu.
Nas redes sociais, Zema acusou
Moraes de buscar proteção para Vorcaro junto a Gonet e a Andrei —
"impeachment é pouco. Ele merece é cadeia", escreveu. Já Renan
afirmou que o ministro estaria "envolvido até o pescoço no escândalo
do Banco Master".
No Congresso, a oposição na
Câmara passou a defender novas medidas contra Moraes. O deputado Gilberto Silva
(PL-PB), líder da oposição, afirmou que o ministro não pode mais permanecer no
cargo e classificou como "provas concretas" as informações divulgadas
sobre a relação com Vorcaro. Destacou a participação atribuída ao ministro na
elaboração do contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de
Moraes.
No Senado, Carlos Viana
(Podemos-MG) protocolou mais um pedido de impeachment contra Moraes. Afirmou
que há suspeitas de possível utilização do cargo em benefício de Vorcaro. Ainda
no Senado, Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a paralisação das votações
da Casa, nesta semana, para pressionar a saída do ministro.
Fonte: Correio Braziliense.


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