O governo afastou, ontem, a
possibilidade de aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025 no
Congresso Nacional, como resposta ao tarifaço do presidente norte-americano
Donald Trump, que passa a vigorar a partir de hoje. Em entrevista coletiva após
reuniões com cinco associações de setores afetados pela tarifa de 25% sobre
produtos brasileiros, autoridades afirmaram que a resposta será por meio da
negociação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin
fez uma alusão à Lei de Talião para afirmar que, se depender do governo
brasileiro, as negociações devem continuar por vias diplomáticas. "Com o
'olho por olho', o que pode acontecer é os dois ficarem cegos", comparou.
Alckmin frisou que o Brasil deve manter a defesa do multilateralismo e do
respeito às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e destacou os
acordos de livre-comércio com a União Europeia (UE), com o EFTA e com
Cingapura. Também descartou a possibilidade, por ora, de o Brasil aplicar a
reciprocidade contra os EUA.
O objetivo central, de acordo com
o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio
Elias Rosa, é sair em busca de novos mercados para as empresas atingidas
diretamente pelo tarifaço. "Quando você fala numa tarifa de mais 20%, 25%,
você acaba reduzindo a competitividade da indústria nacional, acaba perdendo o
mercado norte-americano e é substituído por outros. Por isso é que nós temos
que correr. O presidente Lula nos orienta a buscar a interlocução com os
setores", disse.
Trabalho forçado
O ministro reforçou que a busca
de novos parceiros para os setores atingidos é a prioridade, neste momento.
Rosa também lembrou que o governo aguarda a definição sobre a tarifa de 12,5%
sobre países que seriam coniventes com trabalho forçado — segundo os EUA — o
que pode impactar diretamente o Brasil. A expectativa é que a decisão seja
proferida no próximo dia 24. "Nós estamos na expectativa de saber se eles
serão cumulativos com os 25%, ou não", frisou o chefe do Mdic.
O vice-presidente Alckmin lembrou
a importância do mercado norte-americano para o Brasil, sobretudo para uma boa
parte das empresas afetadas pelas tarifas, mas reconheceu que é necessário
buscar novas alternativas. Segundo ele, a Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimento (ApexBrasil) terá um papel relevante na tentativa de
sair em busca de mercados diferentes. "Esse é um dos grandes desafios que
precisam ser seguidos e nós precisamos ter uma política, juntos com a Apex, de
buscar o outros mercados para os setores atingidos", disse Alckmin.
Outra via de ajuda às empresas é
a concessão de crédito diferenciado a juros menores para as afetadas pelo
tarifaço. Embora essa seja uma pauta em discussão pelo governo federal, o
ministro do Comércio e Serviços não adiantou uma previsão de quando essas
medidas poderiam ser anunciadas e que isso ainda depende do presidente da
República. "Nós temos quais são os setores que exportam para os Estados
Unidos, quais os que estão sujeitos à (Seção) 301, quanto isso impacta na balança
comercial, isso nós temos, mas é preciso confirmar setores e, a partir disso,
vamos levar para o presidente Lula o quadro e ele vai tomar a decisão",
avaliou.
Máquinas
Um dos setores mais atingidos
pela nova tarifa, a indústria de máquinas e equipamentos participou das
conversas com o vice-presidente e o ministro. O presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso,
disse que o segmento avalia que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos
devem reduzir a competitividade dos produtos nacionais, mas mantém expectativas
positivas para a ampliação das exportações a outros mercados.
Segundo Velloso, o encontro com o
governo marcou o início das discussões entre o governo federal e o setor
produtivo sobre a nova fase do tarifaço. "Foi a primeira reunião que nós
tivemos com o governo, aqui na vice-Presidência, tratando do novo tarifaço. O
governo nos convidou para essa conversa, mostrando bastante sensibilidade e
preocupação com as nossas exportações", afirmou.
O dirigente ressaltou que o setor
já enfrentou uma situação semelhante anteriormente e que as experiências
passadas servem de parâmetro para as medidas que serão discutidas com o
Executivo. "Nós estamos trabalhando com o governo, apresentando propostas
para melhorar a competitividade do setor de máquinas e equipamentos",
disse Velloso.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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