O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), pré-candidato à reeleição, apontou que os Estados Unidos deverão
interferir nas Eleições 2026 em favor de seu principal adversário, o senador e
pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). "Eles vão tentar interferir aqui, vão
tentar ajudar o lado de lá a ganhar as eleições", afirmou Lula, em
entrevista ao podcast Inteligência Ltda, nesta quinta-feira (30).
Após mais de uma hora de
bate-papo com o quadrinhista Rogério Vilela, entrevista concedida com
exclusividade no Palácio da Alvorada e a primeira do presidente desde o início
das convenções partidárias, em 20 de julho, Lula deixou de lado a postura amena
adotada até ali para criticar o governo dos EUA. De acordo com o presidente,
tanto Donald Trump quanto o seu secretário de Estado, Marco Rubio, já
declararam essa posição, mas afirmou não se preocupar.
"Eles querem que a América
Latina volte a ser o quintal dos EUA", disse o presidente. Lula disse ter
uma boa relação com Donald Trump, em alusão aos encontros de setembro e outubro
de 2025 e, ao mais recente, em 6 de maio. "Eu fui na reunião com o Trump e
entreguei quatro documentos para ele: para combater o crime organizado, o
narcotráfico, para a questão do comércio e a exploração de terras raras e
minerais críticos", destacou. "[Eu disse] Leve para casa e leia à
noite."
Apesar disso, desde o ano
passado, as relações diplomáticas entre EUA e Brasil têm sido marcadas por
imposições de tarifas às exportações brasileiras. Sem citar nomes diretamente,
Lula voltou a associar o chamado "tarifaço" norte-americano sobre o
país ao clã Bolsonaro. "Você veja, os 'filho' do Satanás foram para os
Estados Unidos trabalhar contra o Brasil", disse. Em 26 de maio, Flávio e
Eduardo Bolsonaro tiveram um encontro extraoficial em Washington.
Perguntado sobre o novo tarifaço,
o presidente repetiu que o Brasil adotará o enfrentamento. "Nós vamos
combater elas", declarou. Antes mesmo do dia 23 de julho, quando entrou em
vigor a nova lista de produtos com sobretaxa de 25% para exportação aos EUA, o
governo federal já havia anunciado um pacote de medidas para mitigar o impacto
sobre os setores produtivos nacionais, como o programa Brasil Soberano 2.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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