O Ministério Público de
Pernambuco (MPPE) recomendou que a Empresa de Turismo de Pernambuco Governador
Eduardo Campos (Empedur) adote critérios mais rigorosos de transparência e
controle de gastos nas contratações artísticas realizadas para festas
juninas e outros eventos promovidos ao longo de 2026. A medida ocorre após o
órgão identificar sucessivos contratos de cachês considerados elevados pagos
com recursos públicos.
A recomendação foi expedida pela
promotora de Justiça Ana Maria Sampaio Barros de Carvalho, da 4ª Promotoria de
Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, responsável pela área de Promoção e
Defesa do Patrimônio Público.
No documento, o MPPE orienta que
a Empetur utilize como referência para novas contratações a média dos valores
pagos aos artistas em Pernambuco entre maio e julho de 2025. Os montantes
deverão ser atualizados apenas pela inflação, com base no Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Caso não existam informações
suficientes sobre apresentações realizadas no Estado, o órgão ministerial
recomenda que sejam utilizados contratos públicos registrados em plataformas
oficiais, como o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e os Portais
da Transparência.
A recomendação também prevê
fiscalização mais rigorosa sobre contratos considerados de “alta
materialidade”, categoria aplicada às contratações acima de R$ 600 mil. Nesses
casos, o MPPE pede que a Empetur apresente justificativas detalhadas
demonstrando a compatibilidade dos valores com os preços praticados no mercado
e a necessidade da despesa pública.
Outro ponto estabelecido pelo
Ministério Público é a limitação das despesas totais com festividades em 2026
ao mesmo valor liquidado pela Empetur em 2025, permitindo apenas correção
inflacionária pelo IPCA. Segundo o órgão, a medida busca reforçar princípios
como responsabilidade fiscal, moralidade administrativa e proteção do erário
público, sem inviabilizar investimentos em cultura e turismo.
A Empetur terá prazo de 10 dias
úteis para informar se irá cumprir as recomendações e apresentar documentos,
estudos e cronogramas que comprovem a adoção das medidas preventivas. A íntegra
da recomendação foi publicada na edição de 8 de maio de 2026 do Diário Oficial
Eletrônico.
Gastos em 2025
Dados do portal Tome Conta, do
Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, mostram que a Empetur desembolsou
milhões de reais em cachês artísticos ao longo de 2025. Entre as produtoras com
maiores valores recebidos está a JB, responsável pela gestão de diferentes
artistas e que acumulou mais de R$ 3 milhões em contratos.
Já a Nova Produções, ligada aos
shows do cantor Mano Walter, recebeu cerca de R$ 2,9 milhões referentes a
diversas apresentações. A IL Produções, que gerencia os cachês da dupla Igor e
Lulinha, somou aproximadamente R$ 2,8 milhões em contratos, com apresentações
variando entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.
Entre os maiores cachês
individuais pagos pela estatal em 2025 estão os dos cantores Alexandre Pires e
Leo Santana, ambos contratados por R$ 600 mil para apresentações únicas.
Alexandre Pires se apresentou no Festival Pernambuco Meu País, em Gravatá,
enquanto Leo Santana participou da Festa da Pitomba, em Jaboatão dos
Guararapes.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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