A tatuagem de borboleta se tornou
alvo de discursos associados ao movimento Red Pill, que difunde ideologias
machistas sobre papéis de gênero. A narrativa, ampliada por integrantes da
chamada 'machosfera', ganhou escala a partir de 2025 em vídeos nas redes
sociais, nos quais influenciadores passaram a associar, sem qualquer
embasamento, mulheres com esse tipo de tatuagem a comportamentos considerados
promíscuos, instáveis ou inadequados para relacionamentos.
O fenômeno ganhou dimensão
nacional, após a viralização de um vídeo em que uma mulher reproduzia uma
tendência em um supermercado, alcançando mais de 8 milhões de visualizações.
Nos comentários, a tatuagem foi associada a supostos sinais de alerta comportamentais,
evidenciando a disseminação do discurso misógino no ambiente digital.
A simbologia da borboleta
acompanha a história da tatuagem ocidental e ganhou popularidade no Brasil a
partir dos anos 1990, impulsionada por sua associação à feminilidade e à ideia
de transformação.
Pesquisas indicam que adeptos
desse tipo de discurso frequentemente se posicionam como vítimas de um suposto
“sistema pró-mulheres”, generalizando características negativas e negando
atributos como lealdade e confiabilidade às mulheres.
Como reação, iniciativas de
resistência surgiram. Um estúdio de tatuagem incentivou mais de 100 mulheres a
tatuarem borboletas como forma de ressignificação do símbolo, que passou a
representar liberdade, identidade e autonomia.
CNJ determina que audiências de
violência doméstica sejam presenciais
O Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) definiu que audiências em processos de violência doméstica e familiar
contra a mulher deverão ocorrer, preferencialmente, de forma presencial. A
alteração da Resolução 354/2020 foi aprovada por unanimidade no dia 14 de abril,
durante a 5ª Sessão Ordinária de 2026.
Pela nova diretriz, o formato
virtual passa a ser admitido apenas em situações excepcionais e devidamente
justificadas, com o objetivo de reforçar a proteção das vítimas no ambiente
judicial.
O pedido foi apresentado pela
advogada Hellen Falcão de Carvalho e tem como base um caso em que uma mulher
foi sequestrada pelo companheiro durante um depoimento virtual em abril de
2025. A vítima, de 44 anos, participava da sessão dentro de um veículo e estava
sendo mantida como refém pelo agressor, contra quem já havia uma medida
protetiva.
O relator, conselheiro Ulisses
Rabaneda, apresentou dados alarmantes: 29% das mulheres não reconhecem como
violência situações que vivenciam e cerca de 25 milhões estão expostas a contextos
de agressão. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, aumento de
4,7% em relação ao ano anterior, com crescimento acumulado de 14,5% nos últimos
cinco anos.
Análise do CNJ reuniu 1.127
feminicídios registrados entre 2021 e 2024, sendo que em 148 casos a mulher já
havia acionado o sistema de Justiça e recebido decisão protetiva, que ainda
assim não impediu o desfecho letal. O presidente do STF, Edson Fachin, classificou
a medida como urgente e relevante.
Escolas brasileiras se mobilizam
contra a misoginia que avança entre jovens
Diante da explosão de conteúdos
misóginos nas redes sociais e da repercussão de casos de feminicídio e estupros
coletivos no país, as escolas estão dando espaço para projetos de combate ao
machismo e à misoginia. As iniciativas muitas vezes partem de grupos de alunas,
que procuram professores e gestores para relatar o incômodo com o que vivem e
presenciam dentro e fora da escola.
Um dos casos emblemáticos ocorreu
no Colégio São Domingos, em São Paulo, onde alunos de 14 e 15 anos foram
suspensos após criarem, em grupos de WhatsApp, um ranking de colegas com
comentários sobre atributos físicos e imagens de teor sexual.
Dados mostram que 17,4% dos casos
de bullying têm como motivo o fato de a vítima ser mulher. Já o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública apurou que 37,5% das mulheres brasileiras
sofreram algum tipo de violência entre 2024 e 2025.
Em março de 2025, o SESI-SP
lançou o programa Juventudes AntiMisoginia, iniciativa voltada ao combate à
discriminação contra as mulheres e à promoção da igualdade de gênero,
implantado em 134 escolas e alcançando cerca de 100 mil alunos do 9º ano do
fundamental e do ensino médio.
Na esfera legislativa, o PL
6.039/2025 propõe tornar obrigatório o ensino de prevenção à misoginia do 6º
ano ao fim do ensino médio em redes pública e privada.
O Reino Unido saiu na frente,
pois o Ministério da Educação britânico instituiu a obrigatoriedade de aulas de
combate à misoginia a partir de setembro deste ano.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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