Integrantes do Congresso Nacional
reagem e centram artilharia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Dias Toffoli após a Polícia Federal (PF) pedir a suspeição da suspeição dele,
que é relator da investigação do caso do Banco Master. A PF encontrou conversas
e menções a Toffoli no celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro.
Há a possibilidade de convocação
do ministro e quebra de sigilo a pedido da CPI do Crime Organizado e
solicitação para que o STF determine a abertura de uma comissão para investigar
o Banco Master. Parlamentares também pedem a quebra do sigilo das conversas
apreendidas no celular de Vorcaro.
O relator da CPI do Crime
Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi um dos primeiros a comentar
as revelações sobre os contatos do ministro com Vorcaro.
"O Tofollão é um escândalo
tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana
posterior ao carnaval, a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de
quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República
com todos sob a mesma lei" afirmou.
Vieira já tinha apresentado à CPI
dois requerimentos que pretendem convocar os irmãos do ministro, José Carlos e
José Eugênio, a prestar depoimento.
Para fundamentar, o senador cita
ainda reportagem do Estadão, que mostrou que a casa de José Eugênio Dias
Toffoli aparece como sede da empresa que vendeu a fundo de cunhado de Daniel
Vorcaro, dono do Master, parte de resort no Paraná por R$ 3 milhões. No local,
a mulher do irmão do ministro afirmou que o marido nunca foi dono de resort.
O requerimento também baseia-se
em "indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a
elementos sob investigação no âmbito da segurança pública e do sistema
financeiro".
Toffoli é acionista da Maridt,
empresa que tem como dirigentes seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias
Toffoli. A Maridt é uma sociedade anônima de "livro", cujos donos não
são identificados em registros públicos. Suas identidades ficam anotadas em
documentos da própria empresa. A sede da Maridt é a residência do engenheiro
José Eugênio Dias Toffoli.
O Estadão mostrou que Toffoli
recebeu dinheiro de empresa que fez negócios com fundo de cunhado de Vorcaro.
Em nota divulgada nesta
quinta-feira, 12, Toffoli confirmou que é sócio e recebeu dividendo dessa
empresa, mas negou ter "relação de amizade" com Vorcaro e disse que
"jamais recebeu qualquer valor" pago pelo banqueiro.
Na Câmara, o deputado Rodrigo
Rollemberg (PSB-DF) também articula uma outra frente para pressionar o ministro
e Vorcaro. Ele pede para que o STF libere integralmente o conteúdo das
conversas do banqueiro.
"É fundamental que o Supremo
determina o fim do sigilo sobre essa investigação, e possa revelar todos os
diálogos que tem no telefone do Vorcaro. Acho até para evitar vazamentos
seletivos, abertura total. A população brasileira tem o direito de saber o que
foi conversado, se houve intervenção política. É colocar luzes sobre o
tema", afirmou.
O deputado foi o primeiro a
protocolar pedido de instalação de CPI. O requerimento do parlamentar foi
apresentado logo na retomada dos trabalhos parlamentares, no dia 2 de
fevereiro.
Esse requerimento centra em
apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo Banco de Brasília (BRB) ao Master entre
janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$
5,5 bilhões de prêmio. Rollemberg é opositor de Ibaneis Rocha (MDB), governador
do Distrito Federal, que é controlador do BRB.
"É preciso tornar óbvio que
é necessário instalar a CPI. Qualquer ação no sentido de não instalar a CPI vai
trazer uma mensagem muito ruim para o conjunto da população brasileira, de que
a Câmara estaria abrindo mão da responsabilidade de investigar um
escândalo", disse o deputado.
Ele afirmou à reportagem que vai
pedir ao STF que determine a instalação da comissão. A medida ocorreu, por
exemplo, na CPI da Covid, durante a pandemia.
Esse não é o único requerimento
de CPI que avança no Congresso. No dia seguinte ao protocolo de Rollemberg, a
oposição apresentou pedido de instalação de CPI Mista no Congresso.
Essa tática é geralmente usada
pelo grupo para driblar a fila de outras CPIs, argumento geralmente usado pelos
presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), para não instalar colegiados. Motta já argumentou que a
comissão sobre o Master vai "entrar na fila" de requerimentos.
Paralelamente, o senador Eduardo
Girão (Novo-CE), e a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), também coletam
assinaturas para protocolar seus requerimentos de criação de CPI do Master.
Fonte: Diário de Pernambuco.


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