Os Estados Unidos e a China
anunciaram na segunda-feira um acordo para reduzir drasticamente as tarifas
retaliatórias por 90 dias, acalmando uma guerra comercial que abalou os
mercados financeiros e levantou temores de uma crise econômica global.
Após as primeiras conversas desde
que o presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou sua guerra comercial, as duas
maiores economias do mundo concordaram em uma declaração conjunta em reduzir
suas tarifas de três dígitos para dois dígitos e continuar as negociações.
O secretário do Tesouro dos EUA,
Scott Bessent, descreveu as conversas de fim de semana com o
vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o representante de comércio
internacional Li Chenggang como "produtivas" e "robustas".
"Ambos os lados demonstraram
grande respeito", disse Bessent aos repórteres.
O presidente dos EUA, Donald
Trump, impôs taxas de 145% sobre as importações da China no mês passado — em
comparação com 10% para outros países na ofensiva tarifária global que ele
lançou no mês passado.
Pequim reagiu com taxas de 125%
sobre produtos norte-americanos.
Bessent disse que os dois lados concordaram
em reduzir essas tarifas em 115 pontos percentuais, elevando as tarifas dos EUA
para 30% e as da China para 10%.
Em sua declaração, os dois lados
concordaram em "estabelecer um mecanismo para continuar as discussões
sobre relações econômicas e comerciais".
A China elogiou o "progresso
substancial" alcançado nas negociações.
"Esta medida... é do
interesse dos dois países e do interesse comum do mundo", disse o
Ministério do Comércio chinês, acrescentando que espera que Washington continue
trabalhando com a China "para corrigir a prática errada de aumentos
unilaterais de tarifas".
O dólar, que despencou após o
lançamento da ofensiva tarifária de Trump em abril, recuperou-se com a notícia,
enquanto os futuros das ações americanas dispararam. Os mercados europeu e
asiático também se recuperaram.
A disputa comercial entre
Washington e Pequim abalou os mercados financeiros, aumentando os temores de
que as tarifas reacenderiam a inflação e causariam uma crise econômica global.
'Um bom presságio para o futuro'
A chefe da Organização Mundial do
Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, elogiou as negociações de domingo como um
"passo significativo à frente" que "é um bom presságio para o
futuro".
"Em meio às atuais tensões
globais, esse progresso é importante não apenas para os EUA e a China, mas
também para o resto do mundo, incluindo as economias mais vulneráveis",
acrescentou.
Antes da reunião na discreta
residência do embaixador da Suíça nas Nações Unidas, em Genebra, Trump
sinalizou que poderia reduzir as tarifas, sugerindo nas redes sociais que uma
"tarifa de 80% sobre a China parece correta!"
No entanto, a secretária de
imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, esclareceu mais tarde que os Estados
Unidos não reduziriam as tarifas unilateralmente, dizendo que a China também
precisaria fazer concessões.
A reunião em Genebra ocorreu dias
depois de Trump revelar um acordo comercial com a Grã-Bretanha, o primeiro com
qualquer país desde que ele lançou sua onda de tarifas globais.
O acordo não vinculativo de cinco
páginas confirmou aos investidores nervosos que Washington estava disposto a
negociar alívio específico de impostos recentes em setores específicos.
Mas Trump manteve uma taxa de 10%
sobre a maioria dos produtos britânicos e ameaçou mantê-la como taxa básica
para a maioria dos outros países.
Fonte: Folha de Pernambuco.


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