O presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva embarcou, nesta terça-feira (6), para uma viagem
à Rússia e à China em busca de diversificação comercial para o Brasil e
fortalecimento de laços diplomáticos. A partida da Base Aérea de Brasília está
prevista para às 22h.
A convite do presidente
chinês, Xi Jinping, Lula participa da cúpula entre China e países da Comunidade
de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio,
além de fazer uma visita de Estado, com a assinatura de, pelo menos, 16 atos
bilaterais.
“A lista de acordos é prolífica e
variada”, disse o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério
das Relações Exteriores (MRE), embaixador Mauricio Lyrio, em coletiva de
imprensa nesta terça-feira (6). Ele contou que outros 32 atos estão em
negociação e poderão se somar à lista.
Lyrio lembrou que a China é o
maior parceiro comercial do Brasil, com superávit brasileiro, e importante
investidor no país, em uma relação bilateral com alto nível de
institucionalização.
“Depois da visita do presidente Xi, acho que
ficou bem clara a ideia de explorar novas vertentes de cooperação. Tem uma
força-tarefa que trabalha a questão das sinergias entre as estratégias de
desenvolvimento do Brasil e iniciativas como o Cinturão e Rota [programa de
cooperação chinês]”, disse Lyrio
“Então, isso certamente estará na
agenda desta visita, assim como a visão muito convergente dos dois países em
matéria de defesa do multilateralismo, defesa da reforma da governança global e
apoio a soluções pacíficas”, acrescentou o embaixador.
Na comitiva de Lula estarão
muitos ministros e parlamentares, “reflexo da densidade da relação”.
“Realmente, existe uma força
tarefa, coordenada uma parte pelo ministro [da Casa Civil] Rui Costa, outra
parte também tem o Ministério da Fazenda e Banco Central. Há uma mobilização de
toda a esplanada [dos ministérios] para intensificar essa relação com a China
no campo da infraestrutura, das finanças e da ciência, tecnologia e inovação”,
disse Maurício Lyrio.
Ele citou ainda a intenção do
Brasil de atrair investimentos chineses para os projetos brasileiros de
neoindustrialização, de capacitação tecnológica e de transição energética.
Tarifaço
O encontro entre Lula e Xi
Jinping ocorre, ainda, em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados
Unidos e China, as duas maiores economias do planeta, com a imposição de
tarifas mútuas, desencadeada por iniciativa do presidente norte-americano
Donald Trump.
Hoje, o embaixador do Itamaraty
reafirmou o discurso do presidente Lula de que o Brasil não quer contencioso
com nenhum país e valoriza as relações sólidas com a China.
“O Brasil e a China tem uma
agenda que é muito mais ampla do que as considerações de uma conjuntura, que
obviamente preocupa. Acho que o Brasil preza a sua relação com os Estados
Unidos e não faz da sua relação com a China algo que se contrapõe ao interesse
em manter ótimas relações que, aliás, mantemos com os Estados Unidos”, disse.
Celac
A secretária de América Latina e
Caribe do MRE, embaixadora Gisela Padovan, explicou que a participação de Lula
na cúpula China-Celac se deve à importância que o presidente brasileiro dá à
integração regional e ao reconhecimento do presidente Xi Jinping da capacidade
convocatória e propositiva que o Brasil tem na América Latina e Caribe.
“Os dois lados estão muito
interessados um no outro e nesse diálogo das duas regiões, que evidentemente o
Brasil tem uma responsabilidade, não digo de liderar, mas de convocar, de
propor, de reunir e de mobilizar as sinergias também regionalmente. E
pretendemos no futuro trabalhar também com a América Central”, disse durante a
coletiva de imprensa, hoje.
A Celac é composta por 33 países
da região. Ao assumir o terceiro mandato em 2023, Lula anunciou o retorno do
Brasil ao bloco, após três anos de afastamento.
Rússia
Antes de ir à China, o presidente
Lula fará uma visita à Rússia, entre 8 e 10 de maio. A convite do presidente
Vladimir Putin, ele participará das celebrações dos 80 anos da vitória da União
Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. É o feriado mais
importante da Rússia, que ocorre em 9 de maio, com um grandioso desfile
cívico-militar na capital Moscou.
Além das celebrações, Lula terá
uma reunião bilateral com Putin, com a previsão de assinatura de atos na área
de ciência e tecnologia. Integram a comitiva os ministros de Minas e Energia,
Alexandre Silveira, e de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
O embaixador Lyrio explicou que o
Brasil tem uma relação comercial importante com a Rússia, importando dois
produtos fundamentais, fertilizantes e diesel, e exportando, principalmente,
produtos do agronegócio. Há déficit pelo lado brasileiro.
“Queremos reequilibrar nossa
balança comercial, ampliar a nossa exportação para Rússia”, disse.
Sobre a guerra da Rússia na
Ucrânia, Lyrio lembrou que o Brasil mantém a sua posição, pautada pelo direito
internacional, defendendo princípios como a integridade territorial dos países
e a solução pacífica de controvérsias. Nesse sentido, a diplomacia brasileira
tem uma interlocução com todas as partes envolvidas no conflito.
Em Moscou, ainda está confirmada
uma reunião bilateral do presidente brasileiro com o primeiro-ministro da
Eslováquia, Robert Fico.
Fonte: Jornal do Commercio.



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