Indígenas da etnia Kapinawá
ocuparam nesta segunda-feira (17) o prédio da Agência de Desenvolvimento
Econômico de Pernambuco (Adepe), na Zona Norte do Recife, em
protesto contra a instalação de parques eólicos no estado.
De acordo com os manifestantes,
esse tipo de empreendimento tem provocado remoções forçadas de famílias e danos
à saúde dos moradores.
O protesto reúne famílias
agricultoras do Agreste pernambucano, afetadas pela instalação de parques
eólicos em cidades como Saloá, Buíque e Pedra. Estudantes da UFPE e UPE, além
de organizações sociais, também apoiam a mobilização.
As principais denúncias dos
manifestantes são impactos como, segundo os representantes, remoções forçadas,
contratos abusivos, danos ambientais e problemas de saúde, já que algumas das
torres eólicas ficam a poucos metros das casas. Segundo os agricultores,
famílias sofrem com doenças auditivas, insônia e ansiedade.
"Famílias inteiras estão
doentes, sendo obrigadas a deixar suas casas, onde nasceram e se criaram. Ou
você sai de lá ou você vai morrer, porque é ansiedade, depressão, problema de
insônia. É tudo o que você imaginar. É um inferno aquilo ali", afirmou
Roselma Melo, agricultora e membro do grupo.
Segundo o cacique Robério,
representante da tribo Kapinawá, pelo menos três aldeias podem desaparecer por
causa das torres: Ventos de Santa Brígida, Ventos de São Clemente e Serra das
Vacas.
"Nosso direito de
reivindicação é para que a nossa terra seja demarcada, pela morosidade do
governo. Se nossa terra já estivesse completamente demarcada, não estaríamos
correndo tanto risco", disse.
O g1 entrou em contato com o
governo do estado para falar sobre as reivindicações dos indígenas, mas não
obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Fonte: G1 Pernambuco.


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