Um estudo realizado por pesquisadores do Canadá, em parceria com cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, analisou uso de biossensores sintéticos em testes rápidos, feitos em qualquer lugar e de baixo custo, para diagnóstico de pacientes infectados com o vírus Zika. O estudo foi desenvolvido na Universidade de Toronto (CA), e contou com a validação da técnica da equipe da Fiocruz PE, usando amostras de pacientes do Recife. Com o estudo, foi realizado o desenvolvimento do equipamento “PLUM”, que é um leitor de reconhecimento de patógenos. Considerado de baixo custo, o equipamento tem valor aproximado de R$ 2.506,75 reais. A previsão dos pesquisadores pernambucanos é que o aparelho também possa ser utilizado na detecção da Covid-19.
O pesquisador da Fiocruz em Pernambuco, Lindomar Pena, coordenador da etapa brasileira da pesquisa, destaca a abordagem da técnica utilizada, com redes de genes sintéticos, que não dependem de cultivo em células. “Trata-se de uma tecnologia revolucionária, que por meio dessa iniciativa pudemos incorporar ao conhecimento científico disponível no Brasil”, declarou.
Com o estudo, foi realizado o desenvolvimento do equipamento “PLUM”, que é o leitor de placas com temperatura controlada, portátil e de baixo custo (aproximadamente US$ 500 dólares), que, segundo os especialistas, funciona como um “laboratório em uma caixa” e pode ser utilizado em regiões remotas e com poucos recursos. Como a plataforma é programável, o pesquisador Lindomar Pena explicou que pode ser aplicada no reconhecimento de outros patógenos, inclusive o novo coronavírus, o que já é objeto de um novo estudo coordenado por ele mesmo.
O estudo, segundo os pesquisadores, trata-se de um dos primeiros ensaios de campo a aplicar biologia sintética no diagnóstico viral em amostras de pacientes. “Mostrar que a plataforma pode ser transportada e detectar de forma precisa o vírus Zika em amostras de pacientes é um significativo passo à frente para a criação de testes mais acessíveis e descentralizados”, diz o professor da Universidade de Toronto, Keith Pardee, líder do projeto, que reúne cientistas de nove laboratórios, em cinco países (Canadá, Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Equador).
Um artigo publicado na revista cientifica “Nature Biomedical Engineering”, na última segunda-feira (7), aponta que a sensibilidade e a especificidade do novo teste foram equivalentes à PCR em tempo real, que hoje é o padrão ouro para a detecção desse e de outros vírus. Segundo os experimentos, a acurácia dos resultados (ou seja, proximidade de um resultado com o seu valor de referência real) ficou em 98,5%, com um total de 268 amostras de pacientes analisadas.
A equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de Zika ocorrida em 2015/2016, que se abateu de forma muito intensa sobre Pernambuco. A contribuição da instituição nos ensaios de campo dessa pesquisa interinstitucional envolveu os departamentos de Virologia e Terapia Experimental - onde Lindomar Pena atua e foram testadas as amostras de sangue, saliva e urina coletadas em humanos - e de Entomologia - onde a equipe liderada pela pesquisadora Constância Ayres realizou testes com amostras de mosquitos.https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2022/03/fiocruz-pe-colabora-na-criacao-de-novo-teste-para-deteccao-de-zika-ap.html


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