A pandemia da Covid-19 nos trouxe muito mais frutos ruins do que bons, como o aumento da fome, o agravamento da falta de políticas públicas e o crescimento do desemprego. Um dos episódios que mais marcaram esse conjunto de mazelas foi um vídeo que viralizou mostrando pessoas procurando restos de alimentos num caminhão de lixo que fazia a coleta num bairro nobre de Fortaleza (CE). A cena chocou o país. Cerca 116 milhões de pessoas, mais da metade da população brasileira, vivem em algum grau de insegurança alimentar, além de 19 milhões que passam fome, de acordo com dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.
Somente no Recife, 1.722 pessoas em situação de rua estão cadastradas junto à Prefeitura, número que não reflete a totalidade dessa população, assim como acontece nas demais capitais.
Paralelamente aos serviços oferecidos pelo poder público, um silencioso exército de gente que coloca a mão na massa - às vezes, literalmente - para combater a fome tem feito a diferença na vida muitos pernambucanos pobres desde o começo desta longa e complexa crise sanitária, social e econômica. Projetos sociais que doam não só marmitas, mas também cestas básicas e materiais de higiene, ganharam papel ainda mais essencial.
O coletivo Unificados Pop Rua, por exemplo, foi fundado em 2016, mas viu sua atuação e importância crescerem. O grupo trabalha sem pausa desde março de 2020. Guarda-chuva de pelo menos 40 projetos sociais, a iniciativa segue um calendário para melhor organização das ações. Com a chegada da Covid-19 à capital pernambucana, o medo de pegar a doença causou a suspensão de muitas atividades. Foi quando o Unificados montou a estratégia emergencial “Todos pela Rua”.
A nova abordagem surgiu para viabilizar a arrecadação de donativos em prol das pessoas em situação de rua e cresceu tanto que, diariamente, voluntários integrantes dos diversos grupos que compõem o Unificados, reforços que chegam por meio de parcerias com o poder público e entidades privadas, universidades e até influenciadores digitais se unem para mobilizar recursos financeiros e doações de alimentos. Coordenadora e voluntária do Unificados, Magdala Mirelle lamenta a invisibilidade das pessoas em situação de rua. “Muitos pensam que tem gente que só está na rua por comida, mas tem muita gente que está na rua porque não tem seus direitos garantidos. Não tem emprego e há vários outros fatores sociais”, reflete.
Meio milhão de marmitas em um ano
Só neste ano, o Unificados entregou 500 mil marmitas, viabilizou mais de 12 mil banhos, com atendimentos no antigo Liceu, e mais de cinco mil atendimentos em saúde.
“A gente recebe e distribui para os outros grupos. Dentro do braço coletivo, a gente tem a nossa parte social fixa, que é o ponto do Liceu onde o pessoal toma banho, faz higiene e toma café da manhã. Temos rondas coletivas com os grupos de voluntários, ações sociais nas comunidades junto com grupos”, disse a coordenadora do ONG.
Fonte:https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2021/12/eles-tem-pressa-para-acabar-com-a-fome.html.



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